terça-feira, 9 de agosto de 2011

Estados subestimam professores

09-AGO-2011
Planeta Osasco

Ana Jimenez, de 27 anos, atua há 4 na rede pública estadual na cidade de São Paulo e não nega que já sabia que seu futuro seria difícil quando ingressou na faculdade de Geografia e decidiu dar aulas. A vontade de contribuir para diminuir as mazelas do mundo, porém, a motivou, diz ela. Hoje, em meio à dificuldade de comprar um imóvel, Ana sente certa frustração. "Uma manicure ganha R$ 20 reais por 1 hora e meia de trabalho. Eu ganho R$ 7,50. Não é desmerecer o trabalho da manicure, até porque uma das minhas tias é manicure, mas ela não fez faculdade", conta. "Para o meu pai, todo o investimento na minha formação está sendo desperdiçado. Por ele eu não seria professora. Nenhum pai quer que seu filho seja professor", afirma. Em São Paulo, o salário inicial para um professor da rede estadual com nível superior é R$ 1.438,33. É pouco, mas há situações ainda mais críticas em outros estados.

Em maio, Amanda Gurgel, de 29 anos, comoveu milhares de pessoas ao proferir um discurso diante de deputados do Rio Grande do Norte. A professora, formada em Letras, questionou se os parlamentares seriam capazes de viver com seu salário-base: R$ 930. E denunciou o descaso com a educação. O vídeo foi parar na internet e virou um sucesso. Meses depois, porém, Amanda diz que tudo continua igual para os professores potiguares. "A gente não quer ser milionário, só ter uma vida digna No Rio Grande do Norte nada mudou. Fizemos uma greve que durou 81 dias, nenhuma das nossas reivindicações foi atendida. Fomos humilhados mais uma vez", conta.

Os baixos salários entre os professores não são novidade, mas, com a entrada em vigor da lei que estabelece um piso nacional para a categoria, este quadro deveria ter começado a se alterar. A lei foi promulgada em 2008 e questionada na Justiça. Ficou suspensa até abril deste ano, quando o Supremo Tribunal Federal sentenciou que o texto é constitucional. O piso nacional passou a ser de R$ 1.187,97 para professores de nível médio, aqueles que não cursaram Ensino Superior.

Mesmo com a determinação, porém, pouco mudou. A maioria dos estados ainda paga remuneração inferior ao piso estabelecido, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Os professores têm feito protestos e greves para reclamar da situação. Algumas já duram meses e para muitos alunos o reinício das aulas previsto para agosto será adiado.

No Rio de Janeiro, por exemplo, onde esses professores recebem R$ 650, a situação só deve se definir nesta quarta-feira (3), quando haverá uma assembleia. Eles estão parados desde 7 de junho. "O Governo defende que paga um salário proporcional ao piso, já que a nossa carga horária é de 22 horas e meia, mas nós queremos receber o valor estabelecido pela lei", explica Sérgio Paulo Aurnheimer Filho, coordenador do sindicato dos profissionais de educação do Rio de Janeiro. Segundo ele, centenas deixam a rede estadual, atraídos por salários em redes municipais que pagam até o dobro.

"Os professores ficam só esperando a aprovação em outro concurso para saírem. Isso prejudica o desenvolvimento de projetos educativos de médio e longo prazo", aponta Aurnheimer.

Em Minas Gerais, onde o salário-base é de R$ 396,89 por uma jornada de 24 horas semanais, valor inferior ao piso, mesmo proporcionalmente, a situação não é diferente. A greve, que começou em 8 de junho, não tem previsão para acabar de acordo com Beatriz Cerqueira, coordenadora-geral do sindicato dos profissionais de educação de Minas. "Existe uma lei, mas o Governo de Minas não fez nada para se adequar. Por isso fizemos uma greve. Dar aula é, para muitos, apenas uma atividade de passagem, algo que se faz enquanto não se encontra outro trabalho que pague melhor. E tudo isso afeta o processo educativo", emenda.

Muitos professores arranjam outros empregos para complementar a renda. "Preparar uma boa aula demanda tempo e esse tempo não é integralmente pago. Ou seja, além de ganhar pouco o professor trabalha de graça quando quer oferecer algo legal para os alunos. É óbvio que quando você está cansada e desmotivada fica tudo mais difícil", diz a professora Ana.

Para Heleno Araújo Filho, secretário para assuntos educacionais da CNTE, a falta de vínculos com a comunidade e as múltiplas jornadas prejudicam a qualidade da educação. "O piso foi um instrumento muito comemorado, mas foi muito descaracterizado graças a interpretações errôneas e à má vontade dos gestores", comenta.

fonte: www.educacionista.org.br

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A greve da Educação continua por tempo indeterminado

Decisão foi tirada em assembleia estadual na tarde de hoje

Cerca de 6 mil trabalhadores decidiram hoje (03/08), em Assembleia estadual, no Pátio da ALMG, em Belo Horizonte, que a greve da educação continua por tempo indeterminado. A decisão é uma resposta da categoria ao governo de Minas, que insiste em não abrir negociações.

O Sindicato orienta a categoria a fazer a opção pela remuneração na forma de vencimento básico e o prazo dado pelo governo para essa decisão vai até o dia 10 de agosto.

“O Governo de Minas Gerais continua intolerante e irredutível na negociação com os trabalhadores em educação, em greve desde o dia 8 de junho. A categoria exige implantação do Piso Salarial Profissional Nacional, PSPN. Trata-se da Lei Federal 11.738/2008 e por isso a greve continua”, afirma a coordenadora geral do SInd-UTE/MG, Beatriz Cerqueira.

Após a Assembleia Estadual, os trabalhadores em educação seguiram em passeata até o centro de Belo Horizonte, para um Ato Público em Defesa do Piso Salarial, nas escadarias da Igreja São José, com a presença de várias entidades, entre elas: Ordem dos Advogados do Brasil/MG (OAB); Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais; Regional Leste II da CNBB; Ordem dos Frades Carmelitas; Conferência dos Religiosos do Brasil; Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST); Central Única dos Trabalhadores (CUT); Sindicato dos Eletricitários; Sindicato dos Auditores Fiscais (Sindfisco/MG); Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE); Internacional da Educação (IE); Associação Metropolitana de Estudantes Secundaristas (AMES).

Calendário de Mobilização

09/08 – Assembleia Estadual no Pátio da ALMG
11/08 – participação de audiência em Janaúba, duante o Fórum Técnico de Segurança Pública.
12/08 – Atividade docente em Araxá.
16/08 – Paralisação Nacional – Jornada Nacional pelo Piso, Carreira e PNE (em Brasília)

Reivindicações
Os trabalhadores em Educação reivindicam o imediato cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN), que regulamenta o Piso Salarial, que hoje é de R$ 1.597,87, para uma jornada de 24 horas e ensino médio completo. Minas Gerais paga, hoje, o Piso de R$ 369,00 que, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNTE), é considerado o pior Piso Salarial dos 27 estados brasileiros.

A direção do Sind-UTE/MG denuncia que o Estado não investe significativamente em um serviço essencial para o desenvolvimento social e rebate as acusações e inverdades amplamente divulgas em toda a mídia.

Em respeito à verdade: o nosso contracheque
O Sindicato afirma que o Governo de Minas não paga o Piso Salarial, apesar de articular uma estratégia para confundir a sociedade, desmoralizar a categoria e, com isso, não realiza a negociação do cumprimento da Lei Federal que institui o Piso Nacional.

"A melhor prova de que o governo não paga o Piso Salarial é o
contracheque de cada trabalhador”, afirma a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira.

Confira, abaixo, um exemplo de vencimento básico:

Crédito das Fotos: Felipe Batista


segunda-feira, 1 de agosto de 2011




A tabuada deve ser entendida ou memorizada?
Discutindo um velho dilema da matemática

Andréa Cristina Sória Prieto Consultora Pedagógica em Matemática na Futurekids do Brasil. Pós-Graduada em Psicopedagogia e Direito Educacional com Graduação em Pedagogia

Desenho-de-coruja-dando-aula-de-matematica

Na escola de alguns anos atrás, saber a tabuada "na ponta da língua" era ponto de honra para alunos e professores. Poucos educadores ousavam pôr em dúvida a necessidade desta mecanização.

Na década de 60, porém, veio a Matemática Moderna e com ela algumas tentativas de mudanças aconteceram. Não vamos discutir aqui as características deste movimento, mas, dentre seus aspectos positivos, destacava-se a necessidade da aprendizagem com compreensão.

Com isso, vieram as críticas ao ensino tradicional, entre elas a mecanização da tabuada. Assim, diversas escolas aboliram a memorização da mesma. O professor que obrigasse seus alunos a decorar a tabuada era, muitas vezes, considerado retrógrado.

O argumento usado, contrário à memorização, era basicamente que não se deve obrigar o aluno a decorar a tabuada, mas sim, criar condições para que ele a compreenda. Os defensores dessa nova tendência alegavam que, se o aluno entendesse o significado de multiplicações como 2 x 2, 3 x 8, 5 x 7, etc., quando precisasse, saberia chegar ao resultado.

Alguns professores rebatiam esta afirmação alegando que, sem saber a tabuada de cor, o aluno não poderia realizar multiplicações e divisões. Hoje, ainda, essa discussão está presente entre nós. Porém, apesar das divergências, uma opinião é unânime: deve-se condenar a mecanização pura e simples da tabuada.

Compreender é fundamental. É inconcebível exigir que os alunos recitem: "duas vezes um, dois; duas vezes dois, quatro;...", sem que tenham entendido o significado do que estão dizendo. Na multiplicação, bem como em todas as outras operações, a noção de número e o sistema de numeração decimal, precisam ser construídos e compreendidos.

Numeros-azuis
Memorizar ou entender? Que tal utilizar as duas ações?

Esta construção é o resultado de um trabalho mental por parte do aluno. O termo tabuada é bastante antigo e designa um conjunto de fatos, como por exemplo:
3 x 1 = 3, 3 x 2 = 6, 3 x 3 = 9, etc.
Esses fatos têm sido chamados, por diversos autores, de fatos fundamentais da multiplicação. Trabalhando com materiais concretos como papel quadriculado, tampinha de garrafa, palitos, explorando jogos e situações diversas, como quantos alunos serão necessários para formar 2 times de futebol, os alunos poderão, aos poucos, construir e registrar os fatos fundamentais que compõem a tabuada.

Proponha aos alunos que descubram quanto dá, por exemplo, 8 x 3. Desenvolva com eles quais são as formas que podem levá-los a encontrar a solução para esta situação. Eles podem obter este resultado através de adições sucessivas:

Mas podem também obter 8 x 3 de outro modo. Como 8 = 5 + 3, podem perceber que:

8 x 3 = 5 x 3 + 3 x 3

Faça-os entender que a multiplicação agiliza o processo de adição e que se eles souberem a tabuada “de cor”, poderão ser mais ágeis ao resolver as operações. Uma vez compreendidos os fatos fundamentais, eles devem ser, aos poucos, memorizados. Para isso, devem-se utilizar jogos variados. Como por exemplo, bingo de tabuada, cálculos mentais e todo tipo de jogos que contribuam para a memorização da tabuada.

A necessidade da memorização justifica-se. A fixação da mesma é importante para que o aluno compreenda e domine algumas técnicas de cálculo. Na exploração de novas idéias matemáticas (frações, geometria, múltiplos, divisores etc), a multiplicação aparecerá com freqüência. Se o aluno não tiver memorizado os fatos fundamentais, a cada momento ele perderá tempo construindo a tabuada ou contando nos dedos, desviando sua atenção das novas idéias que estão sendo trabalhadas.

Respondendo então a pergunta que dá título a esta leitura, devemos dizer que o aluno não deve memorizar mecanicamente a tabuada, mas que a memorização é importante sim. Insisto, porém, que esta memorização deve ser precedida pela compreensão. A ênfase do trabalho deve ser posta na construção dos conceitos. A preocupação com a memorização não deve ser obsessiva nem exagerada.

Nota de esclarecimento do Sind-UTE/MG

1) O Governo de Minas não paga o Piso Salarial Profissional Nacional estabelecido pela Lei Federal 11.738/08.

De acordo com a Le Federal 11.738/08, artigo 2º:

§ 1º - O piso salarial profissional nacional é o valor abaixo do qual a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não poderão fixar o vencimento inicial das Carreiras do Magistério Público da Educação Básica, para a jornada de, no máximo, 40 (quarenta) horas semanais.

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou, no dia 06 de abril deste ano, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.167 que questionou, entre outras questões, a composição do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN), instituído pela Lei. O resultado deste julgamento é a definição da composição do Piso Salarial para os profissionais da educação. De acordo com o resultado deste julgamento, Piso Salarial corresponde ao vencimento básico inicial da carreira do professor de nível médio de escolaridade, excluídas quaisquer vantagens e gratificações e deve ser aplicada uma proporção aos demais níveis e cargos da carreira. Em Minas Gerais, a jornada do professor é de 24 horas, conforme Lei Estadual 15.293/04.

A Lei Federal estabelece um limite para a jornada do professor no país, não se pode ter jornada superior a 40 horas.

Por sua vez, a Lei Estadual 18.975/10 (que é uma lei anterior ao julgamento do STF) instituiu o subsídio como forma de remuneração. Para compor o subsídio foram usadas todas as parcelas que estivessem no contracheque do servidor em dezembro de 2010, ou seja, o total de remuneração. O subsídio, descaracteriza a carreira dos profissionais da educação, reduz percentuais de promoção e progressão na carreira, rebaixa o salário dos profissionais que dedicaram a sua vida funcional ao Estado remunerando-os com o mesmo salário daqueles que começaram a trabalhar este ano.

De acordo com a legislação fica claro que o Governo do Estado não cumpre a Lei Federal 11.738/08. Para cumpri-la, ele tem que alterar o vencimento básico da categoria, o que não ocorreu até o momento.

2) O Governo Mineiro descumpre uma Lei Federal, uma vez que o vencimento básico do professor para nível médio de escolaridade em Minas Gerais é de R$369,00. De acordo com o Ministério da Educação (MEC) deveria ser de R$1.187,00 e de acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) de R$1.597,87.

3) Neste momento o Governo do Estado além de descumprir uma Lei Federal, responde a mais de 3 mil ações judiciais de cobrança do Piso Salarial e não estabelece um processo de negociação. É inadmissível o govermador do estado tentar descaracterizar uma greve que está sendo realizada pela maioria da categoria dos educadores, atribuindo a ela outra motivação que não a necessidade da valorização dos educadores e da educação dos mineiros."

Em respeito à verdade, publicamos os nossos contracheques com os vencimentos básicos.