segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A função da reunião de pais


Reunião de pais: um momento de desabafo.

Segundo a LDB (Lei de Diretrizes e Bases-Lei 9.39496) “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana...”.
As escolas brasileiras possuem características similares quando o assunto é reunião de pais, isso por que todas realizam esse procedimento. As reuniões acontecem em geral em determinados períodos do ano, especialmente no fechamento dos bimestres, momento que marca a entrega de notas.

O sistema brasileiro de ensino propõe que um aluno para avançar nas séries de ensino subseqüentes deve obter notas mínimas em todas as disciplinas, desse modo, os principais objetivos das periódicas reuniões é justamente para discutir esse assunto.

Em praticamente todas as reuniões promovidas pelas escolas as realidades são idênticas, até mesmo a estrutura delas são parecidas, os pais dos alunos que obtiveram notas elevadas e que apresentam bom comportamento são parabenizados e os pais daqueles que não atingiram as médias estabelecidas pela escola e que não apresentam comportamento apreciado, são alertados quanto à falta de interesse e disciplina do filho.

A concepção de grande parte dos educadores em momento de reunião de país é de “vingar” do aluno, pois existe a possibilidade de colocar os pais contra os filhos a partir do “arsenal” de informações negativas obtidas no decorrer do bimestre e que nesse momento é emitido para os responsáveis. Esses educadores esperam não uma melhoria e sim uma punição por parte dos pais.

Esse agrupamento escolar não deve ter tal configuração, pois ao invés de promover uma evolução positiva pode dificultar o desenvolvimento do aluno.

A escola deve abrir espaços para solucionar ou pelo menos buscar alternativas para uma melhoria na realidade escolar do aluno, desse modo deve-se estabelecer parcerias entre a escola e os pais, para que haja uma condução positiva dos possíveis problemas, além disso, os professores devem compreender a realidade em que vive determinado educando, para que não venha fazer julgamentos precipitados a respeito do mesmo.

Isso faz parte da realidade de muitas crianças, adolescentes e jovens, quando alguns alunos não apresentam bons resultados escolares são reprimidos ou excluídos como um ser para o qual não há solução, sendo que muitas vezes esse indivíduo é fruto de lar desestruturado, pais separados, quando existe alcoolismo na família, violência, dentre muitas outras mazelas de ordem familiar.

Nesse sentido é que a reunião deve se focalizar, na troca de informações para que a partir desse ponto possa elaborar de forma conjunta uma solução, e que não se resuma somente em períodos de fechamento de notas, mas no decorrer de todo o ano.

Essa perspectiva não é algo que ocorre na totalidade das escolas, ou seja, não é uma regra, porém é a pratica mais difundida no meio escolar, nesse caso o melhor é planejar objetivos e questionamentos direcionados à família e que essa também agregue contribuições, uma vez que a escola não consegue educar sozinha.

A educação deve ser instituída com a participação efetiva de pais e escola. As reuniões devem fazer parte da realidade escolar como algo harmonioso e um centro de soluções para vida escolar dos alunos.

Por Eduardo de Freitas
Equipe Brasil Escola

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Desaparecida Elizabete Pinto Coelho

Ela desapareceu em Belo Horizonte, no dia 13/02/11.

Saiu de sua residência no Bairro Gutierrez, em Belo Horizonte, sem portar documentos e sem óculos.

Tem 49 anos, é casada com Joaquim e tem dois filhos.

Saiu sem levar os medicamentos, faz tratamento para depressão.

Qualquer informação entre em contato nos telefones abaixo.

Obrigado a todos.

Telefones para contato:

Joaquim : (31) 9884-7360

Mateus (irmão) : (31) 8800-1861 / (31) 8862-1731

Residência : (31) 3335-9736

Fonte: www.alvinews.com.br


Governo descumpre meta de 800 creches em 2010; Dilma quer fazer 1,5 mil ao ano até 2015

Rafael Targino
Em São Paulo

Uma das principais bandeiras de campanha da presidente Dilma Rousseff, o Proinfância, programa do governo federal para construção de creches e pré-escolas, não conseguiu cumprir a meta de convênios para 2010. Das 800 unidades previstas, apenas 628 foram autorizadas.

Em 2011, o objetivo é assinar mais que o dobro disso: 1,5 mil convênios, totalizando 6 mil até o final do mandato de Dilma. Para que esse número seja alcançado, é preciso celebrar, em média, quatro convênios por dia. Nos últimos quatro anos, foram assinados 2.349 – 1,6 por dia, em média. A previsão de 800 creches foi passada ao UOL pelo FNDE em setembro do ano passado.

O MEC (Ministério da Educação) diz que chegou a analisar mais processos de construção em 2010 – exatos 953 – mas só aprovou os 628. O restante (325) foi “diligenciado” para responder a “demandas técnicas”. Desses 325, estão em “fase final de análise” 299 e “continuam em diligência” 26.

Esses convênios são o primeiro passo para a construção das creches e pré-escolas. Eles só podem ser assinados se as prefeituras, responsáveis por erguer a estrutura física, comprovarem que o terreno onde a unidade será feita é público. A partir da assinatura, o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que é uma autarquia do MEC, começa a liberar o dinheiro para a obra.



Mas o dinheiro na conta da prefeitura não garante a construção da creche. Em setembro do ano passado, o UOL Educação mostrou que apenas 39 das então cerca de 2 mil creches conveniadas haviam sido construídas.

Na época, havia mais de 1.100 prédios em fase de planejamento, licitação ou adequação de projetos e 791 em construção –quase metade deles (366) com menos de 50% das obras concluídas.

Fundo emergencial descartado

O governo enfrenta um problema adicional no Proinfância: há creches que ficaram prontas com atraso e não terão, neste ano, dinheiro para se manter. A verba é repassada pelo MEC de acordo com o número de alunos no Censo Escolar do ano anterior.

O censo, no entanto, é fechado em 31 de março. O dinheiro que será liberado em 2011 é baseado no número de alunos do final do primeiro trimestre de 2010. As escolas que ficaram prontas (e receberam alunos) depois desse prazo não recebem os recursos.

A solução que estava em gestação no ministério era a criação de um fundo emergencial para atender essas unidades até o censo seguinte. Mas, segundo a secretária de Educação Básica do órgão, Maria do Pilar Lacerda, a ideia está praticamente descartada. “O fundo emergencial não é uma solução, até porque é limitado”, afirma.



Segundo Maria do Pilar, a preocupação maior é com as cidades pequenas, já que capitais, por exemplo, têm maior flexibilidade e podem trabalhar com recursos próprios. “Há um reconhecimento por parte do ministério que esse é um dado importante. Vamos avaliar. Não corre risco [de ficar sem recurso], mas não posso falar isso com 100% de certeza. A solução do Brasil é de absoluta desigualdade.”

O presidente da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), Carlos Eduardo Sanches, se disse “preocupado” com o assunto. “Sugerimos um censo em separado e um lançamento em separado [do dinheiro]. Mas [o MEC disse que] o sistema não permite isso.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

ADOLESCÊNCIA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA DENTRO DE UMA SOCIEDADE CIVIL INCLUSIVA

"A adolescência da pessoa portadora de deficiência de um modo geral, excetuando-se algumas particularidades, ocorre de forma semelhante a qualquer jovem, sendo marcada por mudanças nas dimensões bio, psico, sócio e espirituais.

Do ponto de vista físico, ou dimensão biológica, acontece uma transformação no corpo, devido aos hormônios sexuais que, atuando de modo diferente nos meninos e nas meninas, norteiam a consolidação dos caracteres sexuais secundários. Os hormônios sexuais transformam em um tempo muito curto a forma externa e interna do corpo, transformam a menina em mulher e o menino em um homem, porém, a alma de criança parece meio desajeitada frente a tantas mudanças.

O adolescente, "PPD ou não" deve ser levado a sério, porque em nenhuma fase da vida é tão intenso o choque entre o novo e o velho modo de ser. É a fase do idealismo e da luta heróica para mudar o mundo e a nós mesmos. O dilema central da primeira fase da adolescência é a separação interna e externa do mundo da criança do mundo adulto. Todos se sentem meio perdidos nesta fase, sonhando com Peter Pan e a "Terra do Nunca", em que ninguém precisa crescer.
Perdemos rapidamente roupas, brinquedos, tempo livre, o interesse por atividades infantis e ganhamos o acesso ao mundo adulto, cheio de emoções novas e intensas.
É difícil se despedir da criança que vive dentro de nós, mas inevitavelmente temos de deixá-la ir viver nas memórias, no fundo do inconsciente, enterrar o passado, fazer o luto e continuar o crescimento.
Surge então uma fase de busca de independência e autonomia em todos os sentidos, físico, psicológico e espiritual, o desejo de ter mais poder pessoal frente ao grupo de amigos que, agora substituindo os pais, se torna o grupo de referência.
Descobrimos que existem outros seres como nós, que também acabaram de se tornar adolescentes. Podemos reconhecê-los facilmente, pois são: desajeitados, tímidos, às vezes atrevidos, usam roupas estranhamente atraentes, parecem uma turma, uma gangue, uma turba, um bando - precisamos e desejamos encontrar nossa galera.
A fase de grupo pode ser adiada naquele indivíduo portador de deficiência que vive encapsulado, restrito, em casa, sem acesso ao lazer de sua idade, superprotegido ou vivendo em exclusão social. Se este for o caso, a futura personalidade adulta pode apresentar dificuldades de relacionamento interpessoal, de nível variado, chegando ao isolamento afetivo e à depressão. É interessante lembrar que o adolescente PPD precisa de convivência em ambientes inclusivos.
O adolescente vive o conflito entre ser grupo e indivíduo, ou seja, os limites entre a dimensão psicológica e social. Podem surgir conflitos de identidade sexual de maior ou menor intensidade, dependendo do grau de estruturação da personalidade e dos padrões de família internalizados. Neste aspecto, os modelos de identificação saudáveis facilitam este processo. Explicando um pouco mais: o jovem adolescente que tem ou teve um pai e uma mãe ou "substitutos eficientes" afetivamente presentes, internalizam essas referências como uma bússola no meio do labirinto em busca da identidade individual. Algumas pessoas, muitas infelizmente, passam para a fase adulta sem resolver os conflitos desta fase específica da adolescência.
O adolescente também percebe o prazer no próprio corpo e o despertar do desejo muitas vezes é sentido como pulsão quase incontrolável, em conflito direto com valores e nossa moral internalizada. O jovem busca a vivência dos relacionamentos afetivos-sexuais, mas não domina a arte da sedução, sente-se inseguro frente ao sexo oposto, como conquistar sem assustar, como ser popular na escola, no clube, no grupo de amigos, nas festas, nos aniversários, como falar de sentimentos sem parecer mais vulnerável, como compreender a diferença sutil entre amizade e namoro, entre paixão e tesão, entre amor e obsessão.
Os primeiros contatos intencionais sexuais com o corpo de outro, despertam a curiosidade e o medo de abusar e de ser abusado, o primeiro toque, as carícias, o primeiro beijo, a primeira transa, tudo é novidade, é descoberta, não existe tédio a dois, mas a realidade é que o encontro genuíno raramente acontece, seja por nossas dificuldades ou as do outro para entrar de cabeça e coração no universo do amor.
Não é difícil acontecerem excessos: as bebedeiras, as brigas, as más companhias, as drogas, a masturbação compulsiva, os sentimentos de onipotência e arrogância, as depressões e sensação de perda, a necessidade de intimidade e solidão saudável, e o abandono e o desamparo de alguns. É muito difícil, tanto para os pais, quanto para o próprio adolescente, saber os limites entre a intolerância (por parte dos pais) e a falta de freio (dos filhos).
O único antídoto para a adolescência é crescer. Crescer implica fazer escolhas, assumir a responsabilidade pelos próprios atos, um processo de amadurecimento lento e progressivo, com altos e baixos, e a família tem um importante papel: não atrapalhar, aguentar a angústia e fazer os curativos necessários após as inúmeras quedas. O adolescente precisa de vivências para crescer, não precisa experimentar tudo, mas também não pode ser um ingênuo frágil.
Os pais devem facilitar o corte das ligações simbióticas ou superprotetoras, porém tentando evitar a rebeldia dos adolescentes criados por pais ausentes. O conceito de família vai estar em xeque, pois o adolescente cobra coerência entre o discurso e a prática, as regras da casa, da família e da comunidade, para que consiga internalizá-las e interpretá-las de um modo natural, sem incoerências. Porém, aquilo que deve ser mudado jamais resistirá por muito tempo à argumentação aguda de um adolescente motivado; os pais devem se lembrar que diante de um ser em mudança constante, precisam ser flexíveis e adaptáveis.
O adolescente saudável, PPD ou não, vivendo em uma sociedade inclusiva, direciona sua imensa força jovem para os esportes e o desenvolvimento de um corpo equilibrado, possuindo uma autoimagem real mesmo que seu corpo seja diferente, evita a violência gratuita, mas sabe se defender, tem consciência dos limites físicos, sociais e econômicos, mas não é acomodado nem descamba para a marginalidade, usa seus recursos criativos para expandir seus horizontes, usa a linguagem típica do grupo de referência, as gírias e os palavrões, mas sabe se comportar quando o contexto exige.
A adolescência também é marcada por escolhas, sendo de suma importância os conceitos gerados pela escolha profissional. O indivíduo se percebe cobrado pelos pais, professores e até amigos sobre algo que muitas vezes ele não está pronto para se comprometer, "o futuro". A escola tem sua parcela de responsabilidade no aumento da ansiedade e angústia do adolescente; como o ensino tradicional é muito teórico e preparatório, deixa pouco espaço para a imaginação, a criatividade e a vivência.
Muitas vezes o adolescente PPD é poupado da angústia de ter que se tornar produtivo como todo mundo, o que é um ganho secundário prejudicial para o amadurecimento, pois por mais severa que seja a deficiência, todo ser humano necessita contribuir com sua parcela para a produção da qualidade de vida de todos. Pais, professores e profissionais devem se lembrar da importância do trabalho e não poupar o PPD da angústia normal da escolha profissional e dos enfrentamentos daí decorrentes.
Mas mesmo no adolescente "normal" ocorrem boicotes à vivência saudável do ensaio e erro. O primeiro emprego é adiado até o final da formação acadêmica, a mesada quando é utilizada nem sempre serve como instrumento da educação psicofinanceira, o adolescente cresce com grandes dificuldades em lidar com documentos, dinheiro, e a vida burocrática do mundo atual. Tanta imaturidade para lidar com o mundo concreto gera insegurança e frustração.
Enfrentamos uma intensa crise na identidade do adulto, homens e mulheres ascendem ao mundo adulto mantendo conflitos adolescentes mal resolvidos.
Para superar a crise atual da maturidade, precisamos de mais poder masculino e feminino amadurecido, é preciso que exista a morte simbólica do ego adolescente: o antigo modo de ser, agir, pensar e sentir tem de desaparecer para que o novo homem possa surgir, com um poder e força central desconhecidos, os quais despertam na personalidade adulta do homem e da mulher, atributos de mais calma, compaixão, clareza de visão e capacidade geradora.
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* Artigo de autoria do psicólogo e sexólogo Fabiano Puhlman Di Girolamo - Jornal Terra Azul, NOSSO LAR
**Digitado em São Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, Rebraf SP, Carpe Diem SP, Sorri Brasil, SP, Fenapaes, Brasília, Inclusion InterAmericana e Inclusion International.

Publicado no Planeta Educação:
Adolescência da Pessoa com Deficiência dentro de Uma Sociedade Inclusiva
Fabiano Puhlman Di Girolamo* - Maria Amélia Vampré Xavier**

Fonte: