segunda-feira, 25 de outubro de 2010

São milhões de Tiriricas

25-OUT-2010
Editorial do jornal ESTADO DE MINAS no dia 24/10/2010

País tem 14 milhões de pessoas incapazes de ler e escrever

Incapazes de ler o nome do país em que vivem, há no Brasil 14,1 milhões de pessoas maiores de 15 anos que, se soubesse, escreveriam um bilhete em protesto contra a escuridão em que se encontram. Sobram-lhes razões. Em pleno século 21, essa é uma chaga que coloca em dúvida os propalados avanços do país rumo ao mundo desenvolvido e a pretensão de ocupar posição de destaque entre as oito maiores economias do planeta. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), concluída em 2009, com base de dados levantada em 2007. H poucas indicações que esse que quadro tenha melhorado significativamente. Aliás, se pudessem, os autores do bilhete às autoridades acrescentariam pedido de mais apoio aos programas e aos abnegados professores do ensino para jovens adultos. São enormes as dificuldades enfrentadas pelos que se dedicam a levar as luzes do alfabeto a adultos e mesmo a jovens. Faltam recursos para oferecer ensino atraente e os alunos são inibidos pela vergonha de não saber ler e pela luta contra a pobreza do dia a dia.

Nem todos têm a sorte e o talento do palhaço Tiririca que, ao receber 1,3 ,milhão de votos para representar São Paulo na Câmara dos Deputados, provocou polêmica entre juristas e intelectuais. Enquanto a Justiça decide se pode diplomá-lo, o Estado de Minas visitou várias vitimas da difícil condição de analfabeto. Muitos que conseguiram até criar família, o que faz pensar de que não seriam capazes se tivessem tido acesso, na idade certa, ao alfabeto e à tabuada. "Ser analfabeta é humilhante", disse uma entrevistada. "É a pior coisa que existe. Não podia andar sozinha, não sabia o preço de nada, não conseguia pegar um ônibus", testemunhou uma outra que, depois de criar 19 filhos, vive o entusiasmo das primeiras letras.

Eles não fazem ideia do que são as Metas do Milênio, definidas em 2000, pela Conferência Mundial de Educação, em Dacar, sob o patrocínio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O Brasil comprometeu-se a chegar em 2015 com taxa de analfabetismo de no máximo 6,7% da população. A meta estava longe de ser ousada e, a bem da verdade, deveria ter sido bem mais perto de zero. Contudo, no ritmo em que o país vem reduzindo seu vergonhoso estoque de analfabetos, especialistas ouvidos pela reportagem já colocam em dúvida até mesmo o piso compromissado. O passado recente não sugere conclusão diferente. Segundo o IBGE, em 2001, o Brasil tinha 14,9 milhões de analfabetos com mais de 15 anos. Portanto, em seis longos anos, não retiramos da escuridão mais do que 800 mil brasileiros.

Seja em razão do tal compromisso com as Metas do Milênio, seja com outro que deveria ser ainda muito mais importante, com a consciência nacional e o respeito a essa multidão de analfabetos, não é aceitável andar tão devagar, quase parando, com tamanha prioridade. Seja qual for o próximo governo, um programa que mobilize recursos e pessoas no combate ao analfabetismo, de modo a tornar modesto o compromisso com a Unesco, terá de ser obrigação. É hora de o país pagar essa dívida desonrosa com 14 milhões de brasileiros.

Fonte:http://www.educacionista.org.br/jornal/index.php?option=com_content&task=view&id=7144&Itemid=50

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Caminho da realização

REVISTA EDUCAÇÃO - EDIÇÃO 162
Planejamento, qualificação profissional e boa leitura das diferentes realidades do campo educacional podem fazer com que se obtenha realização na carreira docente. Até mesmo financeira
Valéria Hartt

A habilidade de interagir com seus pares é essencial para a carreira docente

Diante do desprestígio social, a carreira do professor - da professora, na esmagadora maioria dos casos - há tempos deixou de seduzir os jovens universitários. Sobram indicadores para apontar a queda livre. O que sur­preende é o que está na contramão dessa visão do senso comum: a constatação de que existem professores bem-
sucedidos, realizados profissionalmente e com salários bem acima da média do mercado. Afinal de contas, seria possível sonhar com o casamento entre realização profissional e prática do magistério?

Especialistas em recursos humanos apontam caminhos que podem, sim, fazer a diferença na carreira, enquanto exemplos confirmam que a excelência na educação passa obrigatoriamente pelo binômio salário e qualificação do professor.

O termo "carreira" costuma vir acompanhado de um predicativo - carreira acadêmica, carreira científica, literária e assim por diante. Mas antes de falar na extensão, é preciso compreender o principal, segundo os analistas: a própria carreira.

Carlos Bitinas, da DRH Talent Search, consultoria especializada na busca e seleção de talentos profissionais, ecoa uma visão bastante difundida no mundo de RH. Acredita que a carreira é um bem essencial, porém frequentemente pouco compreendido pelos profissionais. Isso porque normalmente ingressamos no mundo do trabalho sem conhecer as características das etapas de uma profissão e, menos ainda, como manejá-las. E, quando começamos a trabalhar, a instituição que nos acolhe também não costuma estar muito preocupada com isso, mas concentrada em ter sua força produtiva. Assim, não é incomum que a falta de intimidade com a carreira persista às vezes ao longo de toda a sua duração.

O magistério não foge à regra. Por essas e outras, um bom ponto de partida para a tão sonhada realização profissional é compreender o significado da carreira, em toda a sua extensão. A palavra vem do latim vulgar, carraria, que designa um caminho, que não é necessariamente regular e menos ainda um caminho ascendente. "O importante para o profissional é saber fazer as escolhas certas durante o caminho", recomenda Bitinas.

E a lição aqui é inverter a lógica corrente: o professor não se deve deixar conduzir pelo mercado, mas, ao contrário, assumir as rédeas da própria carreira.

Escolhas e possibilidades
O desafio começa na escolha da profissão, pois identificar a própria vocação nem sempre é tarefa simples. A chamada voz interior parece ser aquela que temos mais dificuldade de ouvir, ainda que renegá-la possa significar enorme desperdício de talento. A tendência é buscar as profissões ou as carreiras que dão mais status, poder ou dinheiro, que não são necessariamente aquelas mais alinhadas aos talentos e pendores de cada um.

"Na vida profissional, não é isso que garante realização. É o nosso desejo que precisa prevalecer", destaca Mariá Giuliese, sócia da Lens & Minarelli, uma das gigantes do mercado de recolocação e consultoria em RH, que fala sobre o "efeito manada": "vivemos na sociedade da imagem, em que tudo nos estimula a olhar para fora e atender à demanda exterior, mas acabamos pagando essa conta mais tarde", alerta.

No caso do magistério, como tornar viável o sonho da realização profissional e sustentar a escolha diante desse olhar social que tanto desvaloriza o profissional de ensino?
Refletir a partir dos valores do próprio campo educacional é fundamental.

"O professor deve meditar seriamente sobre sua escolha e compreender que a pobreza de reconhecimento [externo] faz parte dessa opção. Isso o conduz ao desafio de suportar a si mesmo, de valorizar-se acima da avaliação alheia, de crer em si quando poucos o reconhecem", sustenta José Ernesto Bologna, fundador da consultoria Ethos - Desenvolvimento Humano e Organizacional e especialista em psicologia do desenvolvimento aplicada à administração e à educação.

Sem dúvida, um desafio e tanto, mas é preciso reconhecer que um professor que se valoriza será, certamente, mais interessante aos olhos do outro. E aqueles que conseguem contribuir de maneira efetiva para a formação de seus alunos costumam ser valorizados, mesmo em meio a um todo social que tem tendido a desqualificar e desprestigiar o professor.

Teoria e prática
Vincular precocemente teoria e prática é uma das recomendações de Marcelo Maghidman, da Tafkid Marketing Educacional e Cultural. "Essa experiência é determinante na progressão da carreira", sinaliza. E lembra que é preciso estar atento à qualificação profissional, recomendação consensual entre os especialistas.

No caso do professor, significa ter em mente que o diploma inicial é condição necessária, mas está longe de dar respostas a todas as exigências da profissão. O que se espera - e que faz a diferença - é que o professor, como qualquer outro profissional de outros setores, invista em sua formação. Do contrário, corre o sério risco de permanecer na ladainha, na eterna crítica aos cursos de formação inicial. Reconhecer as deficiências é sinal positivo, que indica a busca de crescimento pessoal e profissional. E quem está disposto a se aprimorar profissionalmente conta hoje com opções de sobra, inclusive de cursos a distância. Mas é preciso ser seletivo e saber escolher o que de fato vai promover o desenvolvimento da carreira.

Educação continuada
O alerta vem do especialista Gutemberg Leite, da Meta Consultoria em RH, para quem é preciso ter cautela com o modismo da educação continuada. "Os variados cursos oferecidos nem sempre têm conexão com o aprimoramento do professor, levando-o à dispersão, pressionando-o a estudar temas que não irão contribuir como um fator positivo em sua prática em sala de aula", pontua.

Seja qual for a escolha, há demandas que, em tese, o professor precisa cumprir. Nos dias de hoje, além da formação específica e pedagógica, qualquer professor deveria saber planejar e gerenciar sua carreira e seu tempo (no âmbito de suas práticas de classe e fora delas). E mais: saber falar inglês, conhecer as novas tecnologias, dominar o uso do computador, navegar e utilizar a internet, as redes sociais...

Quem paga a conta
Um dos maiores desafios é conciliar a realidade financeira do magistério a essas variadas demandas de formação. As instituições privadas saem na frente e muitas investem na qualificação de seus quadros de professores. As redes públicas, mais frágeis na oferta de atrativos dessa ordem para seus profissionais, têm mais dificuldades de reter seus talentos. Assim, os professores que se formam nas universidades públicas, normalmente mais bem formados, acabam buscando colocações em escolas particulares, que atendem à menor parcela da população (cerca de 13% dos alunos da Educação Básica).

"O caminho para retomar o processo de revalorização do professor, que na nossa visão é estratégico para vencer o desafio da qualidade, passa necessariamente por um salário inicial atraente e por uma carreira promissora, que promova o desenvolvimento do professor ao longo da vida", resume Mozart Neves Ramos, do Todos pela Educação.

Ampliando o leque
Claro que os melhores salários ainda estão concentrados na rede privada de ensino. Escolas particulares de primeira linha em geral remuneram melhor o professor e dão mais oportunidades de crescimento profissional, mas esse não é o único caminho. "Existe uma demanda cada vez maior por profissionais muito especializados para atuar no magistério, em instituições que têm o objetivo de formar profissionais", garante Mariá Giuliese, da Lens & Minarelli.

Por outro lado, há iniciativas capitaneadas pelo terceiro setor, que tem presença crescente no mundo da educação. "É o caso da Comunidade Educativa, que trabalha pela melhoria da escola pública e é custeada pelo setor privado, com participação de empresas como a Vale, Votorantim, Natura etc.", ilustra Maghidman. "São nichos ainda reduzidos, mas que podem crescer muito e sinalizam caminhos bastante atraentes para o magistério", defende.

Para ampliar sua própria atratividade, o professor também pode - e deve - exercitar boas doses de ousadia e criatividade. É preciso ampliar o leque de competências e habilidades, o que não significa dar as costas para a Educação Básica. Significa que progredir na carreira não tem nada que ver com lecionar em cursinhos pré-vestibulares ou atuar em consultorias. O magistério não é uma carreira que se esgota, porque a arte de ensinar pode ser aplicada em diferentes circunstâncias. O professor pode escrever livros didáticos, pode ter como objetivo alcançar um cargo de coordenação (sem deixar a sala de aula, o que enriquece ambas as experiências), dedicar-se a grupos de alunos com dificuldades de aprendizagem, enfim, pode trilhar diferentes caminhos e explorar novas oportunidades.

Ousadia e evolução
Correr riscos, aliás, também conta pontos para o desenvolvimento profissional. Significa arriscar-se em novas posições no plano hierárquico - o professor que se arrisca a ser tutor de uma turma - ou se arriscar a formular novas propostas, a apresentar, por exemplo, um projeto interdisciplinar. É a chance de fazer a diferença. "Isso ajuda a ganhar visibilidade dentro da instituição. Para progredir na carreira é preciso ousar e assumir novas responsabilidades", diz Bitinas, da DRH Talent Search.

Outro aspecto imprescindível é a chamada inteligência relacional, que dá conta de como o professor se comporta dentro de grupos e no contexto social. "De nada adianta ser um profundo conhecedor da matéria e ser um autista social", compara Maghidman. O professor precisa ter a habilidade de se comportar em grupos, de compor com seus pares e colegas de trabalho. Do contrário, dificilmente vai avançar na carreira. "Está cheio de gente muito titulada, com bastante conteúdo, mas que tem um componente relacional complicado. Aí não progride na carreira e acaba sendo deixada de lado, porque não é capaz de construir coletivamente", completa o consultor.

O alerta vem ao encontro de uma dimensão importante do trabalho docente: a de que é preciso haver um ambiente propício às relações de ensino e aprendizagem, o que pressupõe suporte e amparo institucional. Para que o conjunto dê certo, é necessário contar com professores interessados e bem formados. Mas a abnegação pessoal muitas vezes se esvai quando não existe articulação entre as partes.

Dez passos para planejar a carreira

1 - Identificar a vocação.
A carreira bem planejada é aquela que está alinhada com o sonho pessoal e com aquilo que o profissional de ensino tem a oferecer.

2 - Fixar objetivos claros e metas de curto, médio e longo prazo.
Para projetar o futuro, é sempre bom avaliar os passos já percorridos. Bons questionamentos sobre o que se quer valem mais do que respostas prontas. Qual a direção a seguir, qual a expectativa de desenvolvimento, o que é preciso fazer para alcançar os objetivos propostos? Um cronograma de ações ajuda a
dar concretude ao processo.

3 - Desenvolver a inteligência sociorrelacional.
É a capacidade de estabelecer vínculos interpessoais e mantê-los positiva e progressivamente, em particular no ambiente educacional. Manter viva e bem cuidada sua rede de relacionamentos.

4 - Estar Atualizado.
Isso vale para diversas frentes: conteúdos, métodos, linguagens, tendências setoriais. No caso da educação, significa também estar atualizado sobre o ambiente educacional, conhecer o que é valorizado e suas carências. Isso pode ajudar, por exemplo a escolher uma especialização em área onde haja mais oportunidades.

5 - Aprimorar competências e qualificações.
Mais do que a maioria dos outros campos, o conhecimento renovado é um aspecto central para os educadores. E isso vale não só para aquilo que se adquire no âmbito formal.

6 - Ter sensibilidade, visão de conjunto e de contexto.
Significa que além de tratar os fatores pessoais é preciso estar atento a questões externas capazes de interferir no desenvolvimento do seu projeto.

7 - Manter atitudes construtivas e positivas.
Esse tipo de postura ajuda a lidar com as dificuldades de uma maneira lúcida e pragmática, fugindo do rame-rame de lamentação muito comum entre docentes.

8 - Qualidade de vida.
Conferir como a atividade escolhida interfere em sua saúde e bem-estar.

9 - Planejamento financeiro.
Fazer reserva financeira para empreender seu projeto

10 - Revisão anual de seu plano.
Cotejar suas ambições com a realidade é essencial para fazer ajustes e aprimoramentos.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Netqueta



A netqueta corresponde à algumas regrinhas de bom senso que ajudam as pessoas a ter boa convivência na rede sem que se tenham questionamentos quanto a sua procedência. Foi criada para que as pessoas não sejam surpreendidas com e-mails de conteúdo duvidoso bem como assuntos abordados nestes ou em salas de bate-papo que podem ser evitados. Existem certos assuntos que ofendem, agridem e trazem desentendimentos e por este motivo devem ser evitados, já que a educação e o respeito caem bem em qualquer lugar.

Ao escrever na net, principalmente em bate-papos, deve-se fazer combinação de letras maiúsculas e minúsculas. No sentido mais comum, se uma palavra for toda escrita em caixa alta, ou seja, em letra maiúscula, além de irritar quem recebe e lê a mensagem transmite que quem a escreveu e a remeteu estaria gritando se estivesse falando pessoalmente. O ideal é enfatizar se for esta a intenção através de asteriscos ou pares de aspas.

Também é extremamente desagradável receber e-mails de quem quer que seja sem o assunto, pois além de ter que abrir o e-mail para saber do que se trata pode-se ter uma surpresa negativa ou não quanto ao conteúdo. Normalmente e-mails importantes são deletados por não revelarem o assunto ou por serem confundidos com outros de conteúdo supérfluo. O ideal neste caso é sempre colocar o assunto abordado, cumprimentar sempre o destinatário antes de abordar o assunto e ainda escrevê-lo com o mínimo de abreviações possíveis e espaçamentos entre parágrafos para que o texto não fique compactado. Anexos devem ser utilizados quando forem solicitados bem como o envio de imagens, que se houverem devem ser alertadas no assunto para evitar possíveis constrangimentos.

Outras dicas para ser educado e respeitoso na net seguem abaixo:

Utilizar poucos emoticons,
Utilizar vocabulário ameno, evitando palavrões,
Evitar mensagem pública,
Evitar encaminhar e-mails para todos os contatos,
Não abrir e-mail de destinos desconhecidos,
Não deixe ninguém esperando por resposta em chats,
Não utilize letras maiúsculas para expressar sentimentos.

Por Gabriela Cabral

Equipe Brasil Escola

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Educação e Politica

educação básica

15 de outubro de 2010

Professores avaliam como genéricas as propostas dos presidenciáveis para educação

Desirèe Luíse

As propostas para a educação brasileira dos candidatos à Presidência são genéricas. O descontentamento de profissionais da rede pública de ensino com os programas de governo de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) ficou evidente em debate ocorrido nesta sexta-feira (15/10), dia em que se comemora o Dia do Professor. Os educadores se reuniram na capital paulista para discutir sobre os projetos de ensino para o país, bem como as propostas do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

“As pessoas com deficiência podem até estar dentro da sala de aula, mas apenas isso não é acesso. Chama atenção o fato de os três programas de governo não terem um olhar específico para essa parcela significativa da população”, afirmou a professora das redes públicas municipal e estadual, Salete de Fátima Francisco.

De acordo com o Censo 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país conta com aproximadamente 24,6 milhões de pessoas com deficiência. Estima-se que o número, em 2009, tenha crescido 26 milhões – 14,5% dos brasileiros. “Não basta matricular, é preciso transporte adequado, apoio de profissionais da saúde, ter o professor capacitado e outros cuidados”, completou Salete.

Já a professora da rede estadual, que leciona na cidade de Diadema (SP), Jacqueline Simões, disse ser positivo que não haja muita especificidade nos programas de governo voltado ao ensino fundamental. Para ela, dessa forma, um planejamento poderá ser construído de forma conjunta, pensando na integralidade das etapas da educação.

A professora Simone Rocha, que atua na educação infantil no município de São Paulo (SP), discordou. “Preocupa-me essa generalidade dos programas, porque depois, podem nos pegar de surpresa. Como o projeto de lei que queria colocar as crianças de cinco anos no ensino fundamental”.

De acordo com ela, a educação infantil quase não é citada pelos presidenciáveis, bem como não é contemplada pelo programa do novo governador paulista Alckmin. “Não ter algo pontual nos três programas desqualifica a educação infantil. Até há intensão de melhora, mas não dizem como farão. Muito do avanço que conseguimos acontece apenas quando a sociedade grita. Temos diversos problemas ao tentar negociar com o governo de São Paulo”, disse Simone.

Educação no campo

“Temos escolas pelo Brasil onde a aula acontece literalmente embaixo de lona. Nessas condições, os movimentos sociais chegam para dar aula onde o Estado não consegue chegar”, lembrou o professor e coordenador da escola municipal do distrito de Bueno de Andrade, em Araraquara (SP), Júlio César Ribeiro da Silva.

Segundo o coordenador, o programa da candidata Dilma ainda cita a educação no campo, mas não especifica. De forma geral, os candidatos não falam sobre essa modalidade do ensino, de acordo com Ribeiro. “Valorizar a cultura local e o entorno. Isso deve ser considerado e não vemos em nenhuma proposta”, avaliou.

Cenário preocupante

O professor de História do ensino médio da rede estadual paulista, Eujacio Roberto, criticou o modelo educacional vigente no país, além da forma como o debate sobre a educação tem ocorrido entre os candidatos à Presidência. “Não há discussão do ensino. O Serra nem proposta para o setor tem. As discussões estão em torno da religião no momento. Os candidatos se posicionam baseados nas pesquisas”.

“Em primeiro lugar, todo projeto educacional deve saber quem é o estudante brasileiro. Deve-se conhecer a realidade de cada grupo de alunos. Não estão pensando no estudante. Para o professor, falta remuneração e estímulo à formação”, enfatizou Roberto.

“Do ponto de vista político, precisamos fortalecer governos que sinalizem novas relações de diálogo entre Estado e sociedade, para pensarmos em políticas públicas efetivas”, concluiu a professora Jacqueline Simões.