domingo, 4 de julho de 2010

BOA POSTURA NA HORA DOS ESTUDOS

No momento dos estudos, seja na escola ou em casa, é fundamental cuidar da postura, para evitar problemas de coluna ou ainda a perda da concentração.

Sentar de qualquer jeito, com as costas encurvadas, os ombros caídos, cabeça torta, prejudica o entendimento e a compreensão das matérias estudadas, pois o corpo fica relaxado, largado.

Se o estudante não teve uma noite bem dormida, de descanso absoluto, a baixa concentração fica ainda mais em evidência, pois terá sono durante as aulas. É importante que o mesmo mantenha uma rotina de sono, para não prejudicar o desempenho escolar.

Além disso, a má postura pode prejudicar a curvatura natural da coluna cervical, causando várias doenças crônicas graves. Dentre essas, destacamos a hiperlordose, escoliose, bico de papagaio, que podem causar muitas dores e sofrimento por toda a vida.

A hiperlordose é a acentuação da curvatura da coluna vertebral, mais conhecida como corcunda. Traz fortes dores nas costas e os sintomas aparecem associados à fadiga, fraqueza muscular, má postura corporal, excesso de peso e restrição aos movimentos da coluna.

A escoliose são desvios nas três dimensões da coluna, onde além de poder se curvar como um “S”, pode curvar-se fazendo inclinação ou rotação. As causas da escoliose podem advir de má postura – inclusive do feto, problemas emocionais, desnivelamento da bacia, pesos em bolsas e mochilas, má postura, etc. Os sintomas dessa doença podem aparecer na idade adulta, com fortes dores nas costas.

O bico de papagaio é uma formação óssea incomum, que aparece nas articulações das vértebras, onde nasce um osso fora do lugar, para ajudar na sobrecarga da articulação, causando muita dor para o portador. Os sintomas são limitações dos movimentos e fortes dores musculares, já que acontece uma sobrecarga nos tendões e músculos de ligamento. As principais causas do bico de papagaio são: má postura, excesso de peso, sobrecarga, fraturas, dormir de bruços e etc.

Evite ao máximo sentar-se com as pernas escorregando para frente, como se a cadeira fosse uma poltrona de descanso. O correto, na hora dos estudos, é sentar-se com as costas retas, apoiando o peso do corpo sobre as nádegas e coxas.

Por: Adão Maximo Trindade

Graduando em Pedagogia


domingo, 27 de junho de 2010

Condições para o surgimento da Filosofia

Grécia (H) nada mais foi do que um conjunto de cidades-Estados (Pólis) que se desenvolveram na Península Balcânica no sul da Europa. Por ser seu relevo montanhoso, permitiu que grupos de pessoas (Demos) fossem formados isoladamente no interior do qual cada Pólis desenvolveu sua autonomia.

Constituída de uma porção de terras continental e outra de várias ilhas, bem como também em virtude da pouca fertilidade dos seus solos, a Grécia teve de desenvolver o comércio como principal atividade econômica. Assim, e aproveitando-se do seu litoral bastante recortado e com portos naturais, desenvolveu também a navegação para expandir os negócios, bem como mais tarde sua influência política nas chamadas colônias.

A sociedade grega era organizada segundo o modelo tradicional aristocrático, baseado nos mitos(narrativas fabulosas sobre a origem e ordem do universo), em que a filiação à terra natal (proprietários) determinava o poder (rei).

Esse modo de estruturar a sociedade e pensar o mundo é comumente classificado como período Homérico (devido a Homero, poeta que narra o surgimento da Grécia a partir da guerra de Troia). Mas com o tempo, algumas contradições foram sendo percebidas e exigiram novas explicações. Surge, então, a Filosofia. Eis os principais fatores que contribuíram para o seu aparecimento:

- As viagens marítimas, pois o impulso expansionista obrigou os comerciantes a enfrentarem as lendas e daí constatarem a fantasia do discurso mítico, proporcionando a desmitificação do mundo (como exemplo, os monstros que os poetas contavam existir em determinados lugares onde, visitados pelos navegadores, nada ali encontravam);

- A construção do calendário que permitiu a medição do tempo segundo as estações do ano e da alternância entre dia e noite. Isso favoreceu a capacidade dos gregos de abstrair o tempo naturalmente e não como potência divina;

- O uso da moeda para as trocas comerciais que antes eram realizadas entre produtos. Isso também favoreceu o pensamento abstrato, já que o valor agregado aos produtos dependia de uma certa análise sobre a valoração;

- A invenção do alfabeto e o uso da palavra é também um acontecimento peculiar. Numa sociedade acostumada à oralidade dos poetas, aos poucos cai em desuso o recurso às imagens para representar o real e surge, como substituto, a escrita alfabética/fonética, propiciando, como os itens acima, um maior poder de abstração.

A palavra não mais é usada como nos rituais esotéricos (fechados para os iniciados nos mistérios sagrados e que desvendavam os oráculos dos deuses), nem pelos poetas inspirados pelos deuses, mas na praça pública (Ágora), no confronto cotidiano entre os cidadãos;

- O crescimento urbano é também registrado em virtude de todo esse movimento, assim como o fomento das técnicas artesanais e o comércio interno, as artes e outros serviços, características típicas das cidades;

- A criação da Política que faz uso da palavra para as deliberações do povo (Demo) em cada Pólis (por isso, Democracia ou o governo do povo), bem como exige que sejam publicadas as leis para oconhecimento de todos, para que reflitam, critiquem e a modifiquem segundo os seus interesses.

As discussões em assembleias (que era onde o povo se reunia para votar) estimulava o pensamento crítico-reflexivo, a expressão da vontade coletiva e evidencia a capacidade do homem em se reconhecer capaz de vislumbrar a ordem e a organização do mundo a partir da sua própria racionalidade e não mais nas palavras mágico-religiosas baseadas na autoridade dos poeta inspirados. Com isso, foi possível, a partir da investigação sistemática, das contradições, da exigência de rigor lógico, surgir a Filosofia.

Por João Francisco P. Cabral

Editado Por : Adão Maximo Trindade

Graduando em Pedagogia

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Mito e Razão

Segundo Chaui a palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de dois verbos: mytheyo (contar, narrar, falar alguma coisa para outros) e mytheo(conversar, contar, anunciar, nomear, designar) e é uma narrativa sobre a origem de algumas coisas (origem dos astros, da Terra, dos homens, dos elementos naturais, da saúde, da doença, da morte, etc.).

Mas no transcorrer da história do homem podemos ver que ele sempre esteve ligado ao mágico e ao mítico e, assim, o ser humano conta histórias de heróis, sagas e cosmologia para lidar com o desconhecido e através de sua narração organizar seu contexto, constituir sua identidade, ter um entendimento dos processos da natureza, de sua origem e da origem do lugar em que vive, enfim, as narrativas mitológicas desempenhavam o papel de ordenar a existência. Podemos entender então que o papel do mito é o de orientar a vida, de indicar valores e ser a expressão de imagens subjetivas do ser humano tanto individualmente quanto coletivamente. O mito, dessa forma, acaba por expressar uma visão tanto do mundo pessoal como do mundo social. O mito é uma história que é contada numa linguagem metafórica onde o ser humano conta uma história inventada para si mesmo de modo que o mito é uma maneira de perceber os mundos interior e exterior.

Na antiguidade, antes do nascimento da Filosofia, o mito era um discurso pronunciado aos ouvintes por um poeta-rapsodo, pois acreditava-se que o poeta era um escolhido dos deuses, e a narração era tida uma verdade dita por uma autoridade e, portanto, o Ito era tido como sagrado, como uma revelação divina e, por conseqüência, incontestável e inquestionável. Dessa forma, os mitos direcionavam tanto a cultura quanto a religião. Mas, indo além do aspecto histórico do mito, podemos entender o mito como uma narrativa metafórica e não de fatos e que, segundo Campbell, atende a quatro funções:

- Despertar na mente um senso de deslumbramento do homem e do mundo;

- Apresentar uma imagem ordenada do cosmos;

- Validar e apoiar uma ordem moral específica, ou seja, as mitologias atendem o campo de determinada cultura e são expressadas através da linguagem e dos símbolos daquela cultura; e

- Ajudar as pessoas a compreender o desenrolar da vida em seus vários estágios.

Ainda segundo Campbell, os mitos “transmitem mais do que um mero conceito intelectual, pois, pelo seu caráter interior, eles proporcionam um sentido de participação real na percepção da transcendência”. Podemos entender então, o mito, como uma narrativa metafórica que contem símbolos que transmitem idéias e não fatos. Mitos são estímulos simbólicos para a percepção de idéias e do desconhecido.

A validade e valor do mito são contestadas quando o mito é tido como uma narração de “fatos” e não de “idéias”, ou seja, o mito passa a denotar e não a conotar.

Na Grécia os primeiros filósofos passaram a criticar a mitologia de Homero porque os deuses tinham muita semelhança com os homens e eles diziam que talvez os deuses não passassem de frutos da imaginação do homem. Os filósofos gregos da época queriam encontrar explicações naturais para tudo e sem recorrer à tradição dos mitos. Houve a transformação do modo de pensar: o pensamento atrelado ao mito passou a ser substituído pelo pensamento construído sobre a experiência e a razão. A Filosofia surgia como o conhecimento racional da realidade natural e cultural, das coisas e dos seres humanos. A Filosofia afirma que a verdade é racional.

Sendo o tema agora a “razão” cabe dizer que esta palavra origina-se de duas fontes: da palavra latina ratio que vem do verbo reor e que quer dizer contar, reunir, juntar, medir, calcular; e da palavra grega logos que vem do verbo legein que também quer dizer contar, reunir, juntar calcular. Dessa forma, segundo Chauí, “razão” significa “pensar e falar ordenadamente, com medida e proporção, com clareza e de modo compreensível para outros”. Assim razão pode ser entendida como a capacidade intelectual para pensar e expressar-se correta e claramente e dizer as coisas como elas realmente são. Assim, para a Filosofia, a razão opera seguindo certos princípios que são os seguintes:

- Princípio da identidade: qualquer coisa só pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada a sua identidade. Exemplo: o triângulo foi definido como uma figura de três lados e três ângulos internos então nenhuma outra figura poderá ser chamada de triângulo a não ser esta;

- Princípio da não-contradição: afirma que é impossível uma coisa ser e não ser ao mesmo tempo e na mesma relação, ou seja, não é possível se afirmar e negar a mesma coisa ao mesmo tempo. Exemplo: se estamos diante de uma árvore aquela árvore será árvore ao mesmo tempo, ela não poderá ser uma árvore e um cachorro ao mesmo tempo. A relação neste princípio comporta a transformação das coisas, por exemplo: uma criança é uma criança ao mesmo tempo, porém com o passar do tempo aquela criança se tornará um adulto e então será um adulto que é um adulto ao mesmo tempo;

- Princípio do terceiro excluído: enuncia que não há uma terceira possibilidade, ou seja, entre várias escolhas possíveis, só há realmente duas escolhas: ou certa ou errada; e

- Princípio da razão suficiente: afirma que tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma causa ou motivo para existir e para acontecer e que tal causa ou motivo pode ser conhecida pela nossa razão. Neste princípio não é descartado o acaso e os fatos acidentais, mas cabe a razão procurar as causas do acaso e dos fatos acidentais.

A Filosofia coloca que existem duas modalidades de atividade racional: a intuitiva (ou razão intuitiva) onde a intuição faz com que tenhamos uma visão direta e imediata do objeto do conhecimento e sem necessidade de provas ou demonstrações para saber o que conhece; e raciocínio (ou razão discursiva) onde se chega ao objeto do conhecimento passando por etapas sucessivas de conhecimento para se chegar ao seu conceito ou definição.

Assim podemos entender a razão como a faculdade humana de estabelecer relações lógicas para conhecer e compreender qualquer coisa.

Por: Adão Maximo Trindade

Graduando em Pedagogia

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Livros de ensino religioso em escolas públicas estimulam homofobia e intolerância, diz estudo

Uma pesquisa da UnB (Universidade de Brasília) concluiu que o preconceito e a intolerância religiosa fazem parte da lição de casa de milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro. Produzido com base na análise dos 25 livros de ensino religioso mais usados pelas escolas públicas do país, o estudo foi apresentado no livro “Laicidade: O Ensino Religioso no Brasil”, lançado na última terça-feira (22) em Brasília.

“O estímulo à homofobia e a imposição de uma espécie de ‘catecismo cristão’ em sala de aula são uma constante nas publicações”, afirma a antropóloga e professora do departamento de serviço social, Débora Diniz, uma das autoras do trabalho.

A pesquisa analisou os títulos de algumas das maiores editoras do país. A imagem de Jesus Cristo aparece 80 vezes mais do que a de uma liderança indígena no campo religioso -limitada a uma referência anônima e sem biografia-, 12 vezes mais que o líder budista Dalai Lama e ainda conta com um espaço 20 vezes maior que Lutero, referência intelectual para o Protestantismo. João Calvino nem mesmo é citado.

O estudo aponta que a discriminação também faz parte da tarefa. Principalmente contra homossexuais. “Desvio moral”, “doença física ou psicológica”, “conflitos profundos” e “o homossexualismo não se revela natural” são algumas das expressões usadas para se referir aos homens e mulheres que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. Um exercício com a bandeira das cores do arco-íris acaba com a seguinte questão: “Se isso (o homossexualismo) se tornasse regra, como a humanidade iria se perpetuar?”.

Nazismo

A pesquisadora afirma que o estímulo ao preconceito chega ao ponto de associar uma pessoa sem religião ao nazismo – ideologia alemã que tinha como preceitos o racismo e o anti-semitismo, na primeira metade do século 20. “É sugerida uma associação de que um ateu tenderia a ter comportamentos violentos e ameaçadores”, observa Débora. “Os livros usam de generalizações para levar a desinformação e pregar o cristianismo”, completa a especialista, uma das três autoras da pesquisa.

Os números contrastam com a previsão da Lei de Diretrizes e Base da Educação de garantir a justiça religiosa e a liberdade de crença. A lei 9475, em vigor desde 1997, regulamenta o ensino de religião nas escolas brasileiras. “Há uma clara confusão entre o ensino religioso e a educação cristã”, afirma Débora. A antropóloga reforça a imposição do catecismo. “Cristãos tiveram 609 citações nos livros, enquanto religiões afro-brasileiras, tratadas como ‘tradições’, aparecem em apenas 30 momentos”, comenta a especialista.

*com informações da Agência UnB

Editado por: Adão Maximo Trindade

Graduando em Pedagogia