quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sindicato vai propor hoje manter greve dos professores

OTO: FOTOS ALEX DE JESUS
Protesto. Ontem, nas comemorações do 7 de Setembro, professores protestaram; sugestão é continuar a paralisação iniciada há 94 dias
CLÁUDIA GIÚZA
Especial para O Tempo

O envio à Assembleia, anteontem, do projeto de lei que cria a nova política de remuneração dos professores da rede estadual em Minas não alterou a decisão do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) de continuar com a greve geral nas escolas do Estado. A proposta de manter a paralisação será colocada em votação hoje à tarde numa assembleia, na capital. A previsão é que 9.000 pessoas compareçam ao encontro. Hoje, a categoria completa o 94º dia fora das salas de aula.


De acordo com a coordenadora da entidade, Beatriz Cerqueira, os professores não aceitam o subsídio, que incorporou os benefícios aos salários dos servidores. A proposta do governo de pagar o piso nacional de R$ 1.187,97 de forma proporcional às 24 horas semanais estabelecidas nos contratos também não agrada a categoria. O Sind-UTE não concorda com o nivelamento feito pelo Estado para pagamento do piso de R$ 712, 20. Pelo novo plano de carreira apresentado no último dia 31, profissionais de nível médio, superior e alguns com pós graduação e com tempo de serviço distintos terão o mesmo parâmetro de remuneração. "Não vamos aceitar essa nova proposta do Estado. É um absurdo o governo acabar com a carreira de professor. A tendência é que a greve continue por tempo indeterminado", declarou a representante da categoria.


Ontem, durante as comemorações do dia 7 de Setembro, o vice-governador Alberto Pinto Coelho foi diplomático ao falar sobre a greve. De acordo com ele, "a análise de qualquer reivindicação classista tem que ser vista dentro do contexto da realidade, da legalidade, da responsabilidade e do equilíbrio. Para isso, já temos uma proposta concreta, encaminhada pelo governo para o exame soberano do Poder Legislativo, proposta essa que contempla avanços e novas conquistas", afirmou.


A coordenadora do Sind-UTE rebateu as declarações do vice-governador e disse que as reivindicações dos professores estão dentro da realidade do Estado. Beatriz Cerqueira disse que espera que os deputados abram um diálogo com a categoria antes de analisar a proposta do governo. "Quando a lei que criou o subsídio foi para a Assembleia o Legislativo só ouviu o Executivo. Agora queremos ver se eles (deputados) terão bom senso para chamar a categoria a discutir a proposta", ratificou Beatriz.

Modelos de remuneração

Subsídio
O servidor tem remuneração fixa na tabela do plano de carreira. Não há auxílios transporte e alimentação nem quinquênio ou biênio. O menor salário é R$ 1.122 para professor de nível médio para carga horária de 24 horas semanais.

Piso proporcional proposto pelo Estado
Piso de R$ 712,20, calculado proporcionalmente conforme a Lei 11.738. No entanto, profissionais de nível médio e superior serão nivelados no mesmo patamar de remuneração. Apenas quem ganhava mais de R$ 712,20 terão mantidos os vencimentos, a exemplo dos profissionais com mestrado e doutorado.

Reivindicação do sindicato
Piso de R$ 712,20
reajustado de acordo com
o nível de escolaridade e
o tempo de carreira.

Retorno
O projeto enviado à Assembleia prevê que os profissionais poderão retornar ao sistema antigo de remuneração. O prazo de 30 dias começa a contar a partir da sanção da lei.
Para quem deseja migrar para o novo modelo tem até 31 de outubro.

Publicado no Jornal OTEMPO em 08/09/2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Coordenadora do Sind-UTE e deputado denunciam ameaças por parte da polícia

TABATA MARTINS/JOANA SUAREZ
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A Coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Beatriz Cerqueira, e o deputado estadual Rogério Correia (PT) denunciaram que a categoria, em greve há 92 dias, sofreu intimidações por parte da polícia.

De acordo com a assessoria do gabinete do político, a coordenadora e integrantes do sindicato sofreram ameaças de policiais militares, que estavam à paisana e em carros descaracterizados.

Devido à denúncia, ocorreu na tarde desta terça-feira (6) uma coletiva na sala de imprensa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no bairro Santo Agostinho. A intenção da convocação da imprensa era esclarecer sobre o que ocorreu e pedir apoio para a categoria. Conforme Beatriz Cerqueira, a categoria acredita que as ameaças, que ocorrem há cerca de 10 dias, sejam uma tentativa do governo de intimidar a paralisação.

As placas dos carros usados nas intimidações, de acordo com a assessoria de Rogério Correia, já foram checadas e são mesmo da polícia. Além disso, a assessoria do deputado afirma que há vídeos e fotos que comprovam a denúncia.

Nesta terça, o Projeto de Lei do novo subsídio foi enviado para a ALMG, onde será discutido conforme os trâmites legais.

Procurada pela reportagem do Portal O Tempo Online, Polícia Militar e Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informaram que a assessoria do Governo do Estado é quem vai se pronunciar sobre o assunto. Até às 18h40, nenhum comunicado havia sido enviado ao Portal.

Fonte:http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=128830


sábado, 3 de setembro de 2011

Mais tempo para planejar aula

Educação.Professores exigem cumprimento de lei que destina um terço da jornada à preparação de conteúdo

Norma faz parte da mesma legislação que garantiu pagamento do piso
Publicado no Jornal OTEMPO em 03/09/2011
TÂMARA TEIXEIRA

FOTO: SAMUEL AGUIAR - 31.8.2011
Movimento. Greve dos professores da rede estadual completa hoje 89 dias; reposição das aulas irá avançar pelo mês de janeiro de 2012
Em meio ao impasse na negociação pelo fim da greve da rede estadual de educação, a próxima exigência dos professores será aumentar o tempo destinado à preparação das aulas. Atualmente, os servidores usam seis das 24 horas de trabalho semanais para o planejamento do conteúdo para os alunos - o que representa um quarto do total. Porém, a Lei Federal 11.738, de 2008, exige que um terço da carga horária seja destinado a esse tipo de tarefa, o
equivalente a oito horas por semana em Minas Gerais.

O cumprimento da lei pode obrigar o Estado a contratar novos profissionais. A assessoria de imprensa do governo informou que um levantamento está sendo realizado para verificar como será feita a adequação à lei. O Estado não descartou ontem a possibilidade de realizar novas contratações.

Segundo a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, com a atual grade curricular, é impossível que os profissionais dediquem mais duas horas ao planejamento das aulas sem que haja prejuízo no conteúdo repassado em sala.

"O Estado ainda não discutiu esse ponto com a categoria. Já que o governo não quer pagar o piso, exigimos também que os professores tenham um terço da jornada para planejar as aulas
e corrigir as provas. Certamente, será necessário um ajuste na grade curricular", disse Beatriz.

Para a professora Débora Martins, cada professor terá que ter um número menor de turmas. "O Estado terá duas opções: ou contrata mais professores efetivos ou terá que pagar um valor extra por essas duas horas que teremos que dedicar a mais. Não dá para diminuir o tempo em sala de aula sem afetar o conteúdo", disse.

Impasse. A determinação sobre o número de horas para planejar a aula faz parte da mesma lei que, no último dia 24, teve decisão favorável do Supremo Tribunal Federal, obrigando os Estados a pagarem o piso salarial de R$ 1.187,97 para uma jornada de até 40 horas semanais. O governo de Minas propôs, na última quarta-feira, um valor proporcional às 24 horas semanais trabalhadas (R$ 712,20).

A proposta foi recusada pela categoria, que reclama que o valor não leva em consideração o tempo de serviço e a formação dos profissionais.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Só pressão salva professores

GREVE
Só pressão salva professores
Sindicato promete mostrar tabela que irá provar as perdas para a categoria
Publicado no Jornal OTEMPO em 02/09/2011
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JOANA SUAREZ

FOTO: CHARLES SILVA DUARTE - 31.8.2011
Mobilização. Segundo juristas, engajamento poderá forçar Estado a reavaliar proposta de piso proporcional
Mesmo desagradando os professores, a proposta apresentada anteontem pelo governo do Estado de pagamento proporcional do piso nacional de R$ 1.187,97 dificilmente será mudada. Especialistas ouvidos pelo O TEMPO afirmam que a única forma de a categoria conseguir alterar a oferta será a partir da pressão popular. Do ponto de vista jurídico, afirmam, a questão já estaria resolvida.

Por outro lado, os professores afirmam que não aceitam encerrar a greve sem que o governo adapte a proposta e considere o plano de carreira em vigor desde 2004. Nele, os vencimentos são reajustados de acordo com tempo de serviço e a escolaridade dos servidores.

Para o advogado trabalhista Éric Salgado, como foi criado pelo próprio Estado, o plano de carreira não é um direito adquirido e pode ser extinto a qualquer momento. "É injusto, mas, infelizmente, o governo pode criar uma nova lei e acabar com o plano de carreira".

A professora de direito do trabalho Daniela Muradas Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que apesar de a Constituição Federal amparar o servidor público, garantindo que sua carreira não pode retroceder, o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido o contrário. "É mais fácil eles (professores) conseguirem a manutenção do regime através da pressão da greve porque pelas via jurídicas o Estado tem direito a se desfazer do plano de carreira".

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) informou que irá divulgar para a população a tabela com o piso nacional reajustado de acordo com o tempo de carreira e o nível de escolaridade.

Pelas contas do sindicato, em vez dos R$ 712,20 sugeridos pelo Estado, o piso de um profissional com licenciatura plena e 12 anos de carreira, por exemplo, teria que ser de R$ 1.194.

Segundo a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), se o governo aplicasse o plano de carreira à nova proposta salarial, o impacto na folha de pagamento da Educação chegaria a R$ 3,7 bilhões e extrapolaria a Lei de Responsabilidade Fiscal. Atualmente, o setor tem gastos R$ 7,7 bilhões.

Com o pagamento do piso salarial nacional de R$ 712,20, proporcional à carga horária de 24 horas semanais, o Estado passa a cumprir a Lei Federal 11.738, de julho de 2008, que determina o pagamento de R$ 1.187,97 para professores de nível médio com jornada de até 40 horas semanais.

Atualmente, 153 mil servidores estão no sistema antigo (piso mais benefícios) e 245 mil optaram pelo subsídio (regime novo que incorpora os benefícios ao salário). Até o dia 31 de outubro, apenas os profissionais que estão no sistema antigo poderão migrar para o novo. A oferta do piso proporcional, segundo o governo, poderá ser aplicada apenas aos servidores do sistema antigo.