segunda-feira, 25 de julho de 2011

Para o Profissional que quer se Tornar Construtivista

Carla Verônica Machado Marques

Várias crianças sentadas no chão junto a um gramado, tendo auxílio de duas professoras

Nas profissões comprometidas com o desenvolvimento humano, é de fundamental importância que o profissional trabalhe em seu processo de conscientização a partir de sua própria experiência interior. Por quê? Para quê? Passamos muito tempo na escola, no trabalho, em casa, aprendendo a reduzir tal consciência, preocupados demais em “como” devíamos nos comportar, esquecendo gradativamente de quem somos, o que pensamos e sentimos e por que agimos desta ou daquela forma. Somos estranhos a nós mesmos e tomamos a vida o mais constante possível, nossos dias iguais.

Com uma conscientização de onde se está, com quem se está e o que se está fazendo, surgem opções, maior flexibilidade e, por seguinte, uma adequação mais precisa do comportamento. O professor educado tradicionalmente reproduz, em seus alunos, tal estado de alienação e autoabandono. Sua relação com a criança é estereotipada, limitada a papéis, padrões e regras. Ora, educação não é isso, pois aprender significa obter os meios para facilitar o desenvolvimento da personalidade da criança e permitir a expressão de suas potencialidades para integrar-se melhor no mundo dos adultos.

Apesar disso, o ensino continua a dividir a personalidade infantil, negando sua individualidade, sua emoção, seu potencial criador, sua autonomia, valorizando somente o produto intelectual. O professor que toma consciência desta situação não pode continuar a repetir-se, mas mudar implica, antes de tudo, mudar-se, e mudar-se significa descobrir suas dificuldades pessoais e profissionais, reconstruindo-se de maneira diferente, integrada em sua própria prática pedagógica.

Para quem inicia tal processo, o desafio se configura no inventar de uma historia, pois somos constituídos de um passado que define nosso modo de ser e compreender a criança num contexto cinzento, no qual aprendemos a ser rígidos, a resistir às mudanças, a nos defender todo o tempo e nos atemorizar da possibilidade de uma experiência emocional, da vida corporal, da espontaneidade de nós mesmos e do outro.

Assim, quanto mais ameaçado, mais o professor se esconde na repetição e na dependência e foge do novo, empobrecendo ao máximo a sua prática. O que acontece com a criança? Sofre solitária e inconscientemente, porque está viva e é extremamente sensível. Ainda não se enrijeceu e não se fragmentou. Dentro da sala de aula, a verdade é que ninguém se comunica e por isso são todos estranhos.

O adulto limita-se ao discurso verbal e fala, fala, fala... Não tem organização da personalidade suficiente para dialogar e refletir sobre si mesmo. Diante de tal quadro, minha opinião é que fica mais fácil para o professor superar as suas dificuldades através das trocas de experiências, profundamente ricas entre pessoas. Através da situação de grupo (grupo de sensibilidade, dinâmica de grupo etc.) pode-se dar inicio ao aparecimento de situações mal resolvidas, das dificuldades inconscientes dos indivíduos em suas relações interpessoais.

Começa o processo de conscientização, o reaparecimento do ser integral, da afetividade, das sensações corporais, do imaginário, das fantasias, em situações reais (na família, escola, trabalho etc.) emergentes no grupo. Estes são os instrumentos humanos para o crescimento e equilíbrio pessoal. Isto gera quase sempre muitas resistências e agressividade que podem dirigir-se para qualquer pessoa que represente a mudança, sentida intimamente como uma ameaça. O coordenador das dinâmicas ou trabalhos com o grupo passa a ser o receptáculo de tais emoções porque torna conscientes as defesas, medos e dificuldades do grupo. Ficam claras as tensões de cada um, abrem-se outros níveis de comunicação, questionamento e diálogo.

Alarga-se a compreensão da realidade circundante, perceptual. Surgem os verdadeiros motivos do comportamento de cada participante, Por isso tanta resistência. Na verdade, tornamo-nos anestesiados para estas experiências e não encontramos um sentido, não entendemos o que acontece à nossa volta porque durante anos fechamos os olhos, ouvidos e pele para qualquer coisa mais profunda. A sensação durante as vivências de grupo, organizadas numa dinâmica, por exemplo, é a de se estar perdendo tempo, ou sendo infantil, ou ainda fazendo jogos.

O que geralmente acontece é que nos tornamos capazes de aceitar nossas emoções, nossos pensamentos, nossa personalidade e a do outro, nos comunicamos, descobrimos que os problemas humanos são comuns a todos, que tudo resulta da dificuldade de estar simplesmente com o outro e de aprender a partir de si mesmo, adquirindo conhecimento sobre si mesmo. É uma nova forma de aprender e compreender as coisas e de compreender a criança, facilitando e descobrindo com ela o seu equilíbrio pessoal. Assim, libertar-se é o destino do professor que deseja e necessita elaborar-se.

A Educação Construtivista requer do professor muitas mudanças, não apenas em seus métodos e técnicas, mas antes em sua maneira de encarar a si mesmo. Sair de sua postura onisciente e poderosa para alguém sensível, consciente, aberto ao diálogo e disposto a ouvir. É importante que ele possa buscar inúmeras oportunidades para resgatar sua capacidade de avaliar mais sensivelmente a realidade, e não apenas repetir-se ou manter sua sensação de controle, mas procurar-se e descobrir-se enquanto um ser integral, tão vivo e livre quanto a criança.

Sobre a autora: Carla Verônica Machado Marques - Neuropsicóloga cognitiva; Artista Plástica; Mestre em Antropologia da Arte. Projeto de Doutorado em Neurociência Computacional-UFRJ. Coordenadora de projetos de Educação do CENTRO DE INFORMAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS UNIC-RIO - ONU. Professora Assistente da Faculdade de Medicina Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal - Disciplina de Psicologia Geral- Curso de Fonoaudiologia - UFRJ. Professora colaboradora do curso de Mestrado em Informática, linha de pesquisa em Informática na Educação e na Sociedade,iNCE- NÚCLEO DE COMPUTAÇÃO ELETRÔNICA - UFRJ. Orientadora científica do Laboratório de Neuropsicologia Cognitiva para crianças deficientes visuais NEUROLAB IBC INSTITUTO BENJAMIM CONSTANT. Coordenadora científica do Projeto de Pesquisa NEUROLOG REDE - INCE - UFRJ. Neuropsicóloga/Psicopedagoga Chefe de Serviço de Cognição e Linguagem da ABRAPA. Diretora-presidente da ABRAPA- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM. Responsável técnico-científica do LABRINT - Laboratório de Brinquedos Inteligentes ABRAPA Designer de jogos de reabilitação neuropsicológica e de materiais técnicos de avaliação e diagnóstico neuropsicológico/ e psicopedagógico.Neuropsicologia Cognitiva, Informática, Complexidade,Neurociência Computacional, Neuropedagogia.

Fonte: Blog Conversando sobre Inclusão (http://www.barbaraparente.blogspot.com/

domingo, 17 de julho de 2011

Comitê discute aplicação da prova nacional de ingresso na carreira docente em 2012

Qui, 30 de Junho de 2011 11:09

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Anunciada em 2010, a Prova Nacional de Concurso para Ingresso na Carreira Docente está em discussão e em processo de elaboração pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). O objetivo da política é cumprir com o princípio constitucional de que o ingresso de professores nas redes públicas de ensino se dê por concurso público, de provas e títulos.

Como muitas secretarias de Educação têm dificuldades para a realização de concursos, passou-se a discutir a elaboração de um processo nacional, em que as administrações municipais possam aderir e abrir vagas para professores na quantidade que acharem necessário.

Para a construção da política, foi instituído um Comitê de Governança, que prevê a realização da prova para agosto de 2012. A proposta do Inep é que a prova possibilite melhor seleção de candidatos para o ingresso na carreira e contribua para a formulação e a avaliação das políticas públicas de formação inicial e continuada de docentes.

As secretarias que aderirem à política poderão utilizar os resultados da prova a qualquer tempo. A professora aparecida Neri Souza, da Faculdade de Educação da Unicamp, tem acompanhado o processo e conta que “as entidades concordaram com a existência” da prova, desde que “não seja mais um exame, mas uma prova em que os municípios decidem se aderem ou não”.

Após a adesão, cabe ao ente federado decidir se a prova será parte do concurso ou a única forma de seleção para ingresso na carreira. Para Neri, a prova tem importância por reafirmar o princípio constitucional de contratação mediante concurso público. Além disso, a adesão a ela, explica Neri, exige plano de carreira e piso salarial, de modo que a prova passa a ser compreendida como de ingresso em uma carreira. A forma de adesão deverá ser indicada nos próprios editais de concursos das redes, e os professores poderão utilizar as notas para se inscrever nos concursos que desejarem.

No entanto, Ocimar Munhoz Alavarse, professor da Faculdade de Educação da USP, questiona a opção política de criação de uma prova nacional como forma de enfrentamento do problema da não realização de concursos públicos por estados e municípios. “Em muitas redes púbicas não há concurso público. Isso é um problema a ser superado”.

Apesar de haver um “aspecto interessante, pela bandeira democrática do concurso”, avalia Alavarse, isso não passa necessariamente pela realização de uma prova nacional. “Pode haver garantia de concurso sem a prova, dispondo-se de outros mecanismos, como incentivo para se aplicar lei”, completa.

Já professora Rosanne Evangelista Dias, do programa de Pós Graduação em Educação da UFRJ, em documento divulgado em março deste ano, em resposta a uma solicitação da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), questiona a matriz de referência então apresentada pelo Inep, com defesa das competências como orientadora da avaliação. Para ela, “a ênfase no modelo das competências pode vir a influenciar os currículos de formação inicial dos professores”. Além disso, “a ideia também presente do estabelecimento de um perfil e a fixação de uma prova nacional não corresponde à compreensão das diferenças existentes no campo curricular, tentando fixar e projetar uma identidade que, sabemos, é forjada no cotidiano da formação e do trabalho docente, marcado pela complexidade”.

Durante duas semanas, o Observatório da Educação solicitou entrevista ao INEP, mas a solicitação não foi atendida.

Comitê de Governança

Os trabalhos do Comitê de Governança, criado para avaliar a matriz de referência e os procedimentos de divulgação e utilização dos resultados da prova, estão em fase de conclusão da matriz, que será apresentada no segundo semestre. A proposta é realizar a prova anualmente a partir de 2012, e inicialmente para ingresso de professores da educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental.

Compõem o Comitê, além da presidente do Inep Malvina Tuttman e outros representantes desta autarquia e da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), pessoas da Secretaria de Educação Superior (SESu/MEC), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/ MEC), do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), de entidades de estudos e pesquisas em educação e do Fórum Nacional de Diretores de Faculdades de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (Forumdir)

LEI DO PISO É CONSTITUCIONAL

Clique na figura acima e confira o jornal mural sobre o PSPN

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Trabalhadores/as em educação continuam em greve


Trabalhadores/as em educação continuam em greve

A decisão foi tirada nesta quarta-feira em Assembleia da categoria

Cerca de 6 mil trabalhadores, sob coordenação do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), decidiram hoje (6/7) continuar em greve por tempo indeterminado.

Depois os trabalhadores seguiram em passeata até o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, à rua Gonçalves Dias, 1.260, numa manifestação que pediu à Justiça celeridade no julgamento das ações protocoladas que denunciam o governo de Minas pelo descumprimento da Lei do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN).

Pela manhã, o Comando Geral de Greve se reuniu com os trabalhadores em educação no Auditório do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais (CREA) para discutir as estratégias do movimento.

Os trabalhadores em educação estão em greve por tempo indeterminado desde o dia 08 de junho. A greve é uma resposta ao Governo Anastasia que insiste em descumprir a Lei do Piso.

Calendário aprovado
07, 08 e 11 de julho – assembleias locais e manifestações regionais
12/07 – manifestação na Cidade Administrativa (Belo Horizonte) junto com outras categorias do serviço público estadual que estão em greve - 14h
13/07 – nova Assembleia Estadual – 14h, no Pátio da ALMG
14/07 – O Sind-UTE/MG participa de Audiência Pública na ALMG, para discutir questões relativas ao IPSEMG, com o objetivo de fazer a interlocução com o parlamento e outras categorias do funcionalismo sobre o movimento de greve e denunciar que o governo descumpre a Lei do Piso – 9h

Adesão à greve
Durante a Assembelia desta quarta-feira, os trabalhadores também avaliaram o cenário das paralisações e traçaram os novos rumos do movimento. Também foi atualizada a adesão à greve que, até o momento, está superior a 50% de paralisação em todo o Estado.

Reivindicação - Os trabalhadores/as reivindicam o imediato cumprimento do Piso Salarial, conforme estabelece a lei 11.738, que regulamenta o Piso hoje em R$ 1.597,87, para uma jornada de 24 horas e ensino médio completo.

Minas Gerais paga o Piso de R$ 369,00, que, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNTE), é considerado o pior Piso Salarial dos 27 estados brasileiros.

A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, afirma que o Governo ao não cumprir a lei federal do Piso, deixa de investir na Educação, que é um serviço essencial para o desenvolvimento humano. “Queremos negociar com o governo e onde ele estiver, estaremos para dizer que ele está descumprindo uma lei federal” afirma.

Acompanhe a seguir, alguns flashes da Assembleia Estadual