segunda-feira, 20 de junho de 2011

Outra disciplina no ensino básico

Editorial do jornal O ESTADO DE S. PAULO em16/06/2011

Em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, o representante do Conselho Nacional de Educação (CNE), Raimundo Feitosa, anunciou que o órgão está estudando a inclusão no currículo do ensino básico, a partir de 2012, de uma disciplina sobre direitos humanos. A proposta é prevista pelo polêmico Programa Nacional de Direitos Humanos, lançado em 2009 pelo governo Lula, e tem por objetivo disseminar valores escolares "livres de preconceitos sociais e raciais, violência, abuso sexual e intimidação".

Para facilitar a elaboração e a implementação dos contornos da nova disciplina, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos encomendou a uma organização não governamental pernambucana - o Gabinete Jurídico de Apoio às Organizações Populares - um panorama do ensino de direitos humanos no País feito a partir de levantamentos nas 5.565 Secretarias Municipais da Educação. Iniciado em fevereiro, o trabalho deverá estar concluído em setembro e, segundo as estimativas de seus coordenadores, os princípios básicos de direitos humanos já estariam sendo ensinados em 40% dos municípios.

Se for aprovada pelo Congresso, essa será a quinta disciplina incluída no currículo do ensino médio nos últimos anos. As demais são filosofia, sociologia, música e espanhol. Quase todas foram introduzidas com apoio de movimentos sociais, ONGs e entidades corporativas, sob a justificativa de que tornam as aulas mais atrativas e ajudam na formação intelectual e cívica das crianças e adolescentes.

Para a maioria dos pedagogos, no entanto, a introdução dessas disciplinas não passa de modismo político e pedagógico. Segundo eles, quanto mais "inchado" for o currículo do ensino básico, mais o ensino das matérias consideradas fundamentais - português, matemática, ciências, história e geografia - é prejudicado. Como a carga horária não é elástica, para que novas disciplinas sejam oferecidas é preciso diminuir o número de aulas das matérias já existentes. Além disso, o número excessivo de disciplinas de desigual importância tende a tornar dispersivas as atividades em sala de aula e a sobrecarregar os professores - o que piora a já baixa qualidade da rede escolar pública.

Determinada mais por iniciativas políticas do que por critérios pedagógicos, a ampliação do número de disciplinas do ensino básico também dificulta a gestão escolar e compromete o planejamento educacional. Como não há professores especializados em número suficiente para lecionar as novas disciplinas, as escolas - principalmente as da rede pública - precisam improvisar, recorrendo a docentes de outras áreas do conhecimento, que vão lecionar matérias que não dominam.

Esse expediente está agravando o problema do déficit de professores das disciplinas tradicionais, especialmente de física, química, biologia e matemática, nas quais a situação é crítica. Há cerca de dois anos, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, divulgou um levantamento que mostrava a necessidade de contratação de mais de 23,5 mil docentes de física e de química somente para as três séries do ensino médio. O quadro era tão grave que os conselheiros da Câmara de Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação pediram medidas emergenciais - como o aproveitamento de estudantes universitários para suprir a carência nas áreas onde o déficit de professores é maior e concessão de incentivos para que os professores aposentados voltassem a lecionar. Em 2007, os conselheiros do CNE já haviam advertido para o risco de um "apagão escolar", caso o governo federal não investisse na expansão dos cursos de licenciatura dessas disciplinas e adotasse uma política de valorização docente, para estimular os formandos a ingressar no magistério público.

Se a qualidade do ensino fundamental e do ensino médio já é ruim, a introdução atabalhoada de novas disciplinas pode piorá-la ainda mais.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Salário do professor estadual de SP poderá chegar a R$ 5.361

Projeto enviado à Assembleia nesta quarta-feira prevê oito níveis de evolução da remuneração

iG São Paulo | 15/06/2011 19:32

O salário do professor de escola pública poderá progredir até 183% entre o início e o fim da carreira. Um educador que ganhar todas as promoções por tempo de carreira e mérito previstas pela Secretaria Estadual de Educação poderá receber R$ 5.361,28. O valor consta do projeto de lei enviado nesta quarta-feira pelo governador Geraldo Alckmin à Assembleia Legislativa.

O projeto é o mesmo que prevê aumentos para os próximos quatro anos no total de 42,25%. “A política salarial e o Plano de Carreira, que será elaborado, são os passos iniciais para colocar São Paulo entre os melhores sistemas de ensino do mundo nos próximos anos”, disse o secretário da Educação, Herman Voorwald.

De acordo com o secretário da Gestão Pública, Julio Semeghini, a proposta prevê “aperfeiçoar a avaliação pelo mérito e ampliar as possibilidades de ascensão profissional” e todos que alcançarem as metas evoluirão automaticamente na carreira.

No modelo atual, a promoção salarial pelo mérito se baseia em cinco níveis de promoção a cada quatro anos de trabalho com aumentos de 25% sobre o salário, limitados, em cada avaliação, aos 20% dos professores melhor classificados em uma prova. Na proposta encaminhada ao Legislativo, estão previstos oito níveis com intervalos de três anos de experiência cada e aumento de 10,5% sobre o salário para todos os que atingirem determinadas metas de avaliação, que ainda deverão ser estabelecidas.

Esses níveis correspondem, na tabela abaixo, à promoção salarial (vertical), que por sua vez é combinada com outros oito níveis de progressão (horizontal) com valores crescentes à razão de 5%.

Progressão salarial

Em R$

inicial2345678
11.894,121.988,832.088,272.192,682.302,312.417,432.538,302.665,22
22.093,002.197,652.307,542.422,912.544,062.671,262.804,822.945,06
32312,772.428,412.549,832.677,322.811,182.951,743.099,333.254,30
42.555,612.683,392.817,562.958,443.106,363.261,683.424,763.596,00
52823,952.965,143.113,403.269,073.432,533.604,153.784,363.973,58
63.120,463.276,483.440,313.612,323.792,943.982,594.181,724.390,80
73.448,113.620,523.801,543.991,624.191,204.400,764.620,804.851,84
83.810,164.000,674.200,704.410,744.631,284.862,845.105,985.361,28



Essa variação acumulada de 183,05% não considera, porém, adicionais por tempo de serviço nem os aumentos salariais previstos para os próximos três anos. Somadas as duas medidas, quando o salário-base estiver 42,25%, ou seja, de R$ 2.368,51, haverá possibilidade dos vencimentos de R$ 6.704,07, sem contar aumentos por tempo de serviço, de acordo com o governo.

Os critérios de evolução serão instituídos por uma comissão composta por representantes indicados pela secretaria estadual de Educação e por entidades representativas do magistério

GREVE NA EDUCAÇÂO

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sind-UTE/MG aciona a Justiça para exigir do Estado pagamento do Piso Salarial

Exigir que o Governo cumpra a lei e implemente já o Piso Salarial Profissional Nacional – com este propósito o Sindicato Único dos Trabalhadores em Minas Gerais (Sind-UTE/MG) protocolou, nesta tarde, representação junto à Procuradoria Geral do Estado. A categoria exige o pagamento do Piso Salarial, de acordo com a lei 11.738/08.

O deputado Rogério Corrêa (PT), líder do bloco Minas sem Censura participou da iniciativa. Na oportunidade, a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, explica que cabe ao Governo, em respeito aos trabalhadores/as em Educação, cumprir a lei em vigor. “Este é um Governo ineficaz, que não consegue estabelecer uma política de valorização do trabalhador/a, por isso, precisamos pressionar o Governo: paga o Piso ou a gente pára a escola!”, afirma.

Plano Nacional de Educação. Com o objetivo de manter fortalecida a luta por uma educação de qualidade em Minas Gerais, o Sind-UTE/MG participou na manhã desta sexta-feira (10/6), no auditório da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG), de audiência pública que discutiu a implantação do Plano Nacional de Educação (PNE).

Além de trabalhadores em educação, participaram representantes da União dos Dirigentes Municipais de Educação de Minas Gerais – UNDIME, do colegiado do programa de Pós-Graduação em Educação da Puc-Minas, do relator do plano na Comissão Especial do PNE na Câmara dos Deputados, deputado federal, Ângelo Vanhoni (PT/PR) e de inúmeras entidades que representam pessoas com necessidades especiais.

A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, cobrou maior equidade na distribuição dos recursos federais para as diversas áreas. Ela diz que tal aspecto pode ser determinante para o sucesso do PNE. “Observo que os investimentos em Educação sempre acontecem com maior morosidade, em relação a outras áreas profissionais, por isso afirmo que se não mudarmos isso o formato de financiamento das políticas públicas será difícil implantarmos o PNE de forma eficiente”, disse.

Cerqueira afirmou ainda que no primeiro trimestre o Estado foram investidos apenas 14% em Educação e que em 2010 os recursos colocados no setor foram de 20%, dos 25% que o Governo é obrigado a investir. “Infelizmente é com essa precariedade de investimentos que convivemos em Minas Gerais”, afirmou.


Nova assembleia. O Sind-UTE/MG convoca os trabalhadores/as a participar da próxima Assembléia Estadual na próxima quinta-feira, 16/6, a partir das 14 horas, no pátio da Assembléia Legislativa