quarta-feira, 4 de maio de 2011
Sind-UTE/MG mobiliza para cobrar a implantação do Piso Salarial e problemas na carreira dos trabalhadores em educação
Dia de Paralisação Estadual
O Sindicato Único dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) participa de audiência pública amanhã 4/5), às 14h, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG), para discutir a implementação do Piso Salarial Nacional para a categoria educacional no Estado de Minas Gerais. Durante o evento serão discutidos ainda os problemas enfrentados pela categoria em função do ineficaz Plano de Carreira da Educação, implantado pelo Governo há seis anos.
O debate acontece na Comissão de Administração da ALMG, por meio de requerimento do deputado estadual Rogério Correa (PT), líder do bloco de oposição Minas Sem Censura. Participarão do debate, a coordenadora geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, além de parlamentares e membros do governo estadual. Representarão o Governo do Estado as Secretárias de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilena e de Educação, Ana Lúcia Gazola.
O objetivo é cobrar a imediata implementação do Piso em Minas Gerais, de acordo com determinação do Supremo Tribunal Federal, que votou pela constitucionalidade da lei 11.738/08, que regulamenta o Piso. “Agora temos uma lei declarada constitucional, que nos ampara na reivindicação do Piso Salarial em Minas. E subsídio além de não ser piso, descaracteriza as conquistas funcionais de cada servidor”, avalia Beatriz Cerqueira.
Direito - O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou no último dia 06/04, a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.167, que questionava a lei que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional. Pela decisão do Supremo, o Piso Salarial é composto pelo vencimento básico da carreira, excluídas as vantagens e gratificações pessoais. O questionamento no Supremo foi feito pelos governadores do Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, sob o argumento de que os estados não teriam condições financeiras de instituir o Piso em seus respectivos Estados.
Minas Gerais não implementou o Piso - No Estado o vencimento básico de um professor com nível médio de escolaridade é de R$369,00. O subsídio implantado por meio da Lei 18.975/10 não corresponde ao Piso salarial. A composição do subsídio é o total da remuneração. Após a decisão do STF, o Piso é constituído apenas de vencimento básico, excluindo qualquer gratificação ou vantagem pessoal.
Por ser paralisação, o Sind-UTE/MG fez a comunicação cumprindo o requisito de antecedência de 72 horas. Concentração às 13 horas, no Pátio da Assembleia Legislativa de MG
terça-feira, 3 de maio de 2011
Autoavaliação: como ajudar seus alunos nesse processo
A reflexão sobre o próprio desempenho é um meio eficiente para o aluno aprender a identificar e corrigir seus erros. Nesse caminho, o papel do professor é essencial
Bianca Bibiano (bianca.bibiano@abril.com.br)
Mais sobre avaliação
MODELOS
- Autoavaliação dos cadernos
- Autoavaliação da lição de casa
- Autoavaliação da postura em sala de aula
- Autoavaliação de uma atividade de biografia
REPORTAGENS
Ao término de cada bimestre, você reserva alguns minutos de aula para que cada aluno reflita sobre o que estudou e como fez isso. Numa ficha com uma série de itens, é preciso responder a perguntas sobre comportamento, procedimentos de estudo e conteúdos. No fim, cada um atribui uma nota a si próprio, que você vai considerar na média da disciplina. "Até que a turma reconhece as próprias falhas!", você se surpreende. Mas, nos meses seguintes, a garotada não corrige os deslizes que apontou na autoavaliação. Por que isso ocorre?
A intenção foi a melhor possível: a abertura para o diálogo na avaliação é uma medida interessante tanto para o estudante tomar consciência de seu percurso de aprendizagem e se responsabilizar pelo empenho em avançar - é a chamada autorregulação - como para ajudar o docente a planejar intervenções em sala. Mas a forma como a autoavaliação foi aplicada não é a mais recomendável. É provável que a atividade tenha sido encarada como uma mera formalidade. Nesses casos, a tal "postura crítica" da turma é pouco mais que um apanhado de coisas que o professor espera ouvir: "Preciso bagunçar menos", "Tenho de respeitar os colegas", "Faltou estudar antes para a prova". Já aconteceu com você?
Da lista de equívocos que se pode apontar no exemplo do parágrafo inicial (leia o quadro abaixo), o mais grave é a falta de acompanhamento e intervenção do professor. "Após o aluno refletir sobre o que e como aprendeu, o professor deve realizar um conjunto de ações para modificar o que está inadequado", afirma Leonor Santos, docente da Universidade de Lisboa, em Portugal, e especialista no assunto. "O objetivo é levar o estudante a confrontar seu desempenho com o que se esperava e agir para reduzir ou eliminar essa diferença."
Os principais equívocos na autoavaliação
- Deixar o aluno dar a sua própria nota
É algo que nada acrescenta à aprendizagem. Ainda que seja adequado esclarecer os conceitos que justificam a nota, estabelecê-la é tarefa que cabe apenas ao professor.
- Fazer perguntas genéricas
Questões como "O que você aprendeu nesse semestre?" e "Como avalia sua aprendizagem?" dão margem a respostas vagas. Quanto mais específicas as indagações, mais o estudante consegue se focar no que precisa avançar naquele momento.
- Dizer os resultados sem comentar
Não adianta arquivar tudo sem se deter no que foi observado pelos alunos. A autoavaliação serve como uma maneira de promover a autorregulação. Especialmente no início, o professor tem um papel essencial nesse processo, debatendo as reflexões de cada estudante e mostrando as dificuldades que passaram despercebidas.
- Deixar tudo para o fim do bimestre
Definir um único momento para o aluno pensar em toda a sua caminhada torna a reflexão mais superficial. É preciso identificar quais pontos têm de ser melhorados e abordá-los de maneira objetiva ao longo de todo o aprendizado.
domingo, 1 de maio de 2011
A construção do imaginário infantil
O professor deve ter claro o tipo de representação de infância com que se trabalha. Esta infância não é coisa qualquer, mas algo histórico, ser em construção, no qual tem uma leitura de mundo, que possui no seu imaginário uma ciência, uma religião e até mesmo o imaginário da escola.
Pode-se perceber que o papel do professor neste processo é de fundamental importância, sendo ele o mediador deste processo que propiciará um desenvolvimento norteado pela ética e cidadania de forma responsável, sem perder o exercício da imaginação, preservando o onírico presente na criança.
A construção do imaginário é histórica, cultural e também ideológica, é preciso tomar cuidado para não naturalizar a infância, não se pode esquecer que esta também participa do coletivo social, esta infância é um dos momentos em que se pode observar uma intensa produção.
Vygotsky destaca em seu livro, a formação social da mente que:
Em estudos experimentais sobre o desenvolvimento do ato de pensar em crianças em idade escolar, tem se admitido que processos como dedução, compreensão, evolução das noções de mundo, interpretação da casualidade física, o domínio das formas lógicas de pensamento e o domínio da lógica abstrata ocorrem por si mesmas, sem nenhuma influencia do aprendizado escolar (VYGOTSKY, 1994, p. 88).
Pode-se entender, então, que segundo o autor Vygotsky a maturação de uma criança, bem como o seu desenvolvimento, são vistos como pré-condição de aprendizado e não um resultado, ou seja, o aprendizado gera uma base sobre o desenvolvimento, deixando então este último inalterado.
Para se trabalhar na construção do imaginário é preciso pesquisar e ter clareza com que tipos de infâncias estão trabalhando. A criança em si não é uma tábula rasa.
Quando chega à fase dos sete ou oito anos, a criança começa a racionalizar seus pensamentos, neste instante passa a ser inundada pelos porquês, tentando entender a razão dos problemas e fatos, tomam por base neste instante os padrões recebidos pela família e sociedade.
É nesta fase que não só a família, mas amigos e professores tornam-se importantes para sua vivência. A literatura e os contos de fadas ajudam na formação da criança, contribuindo para a alfabetização, pois configura este contato da criança com a leitura e escrita, além de auxiliar na formação do seu caráter.
Os contos de fadas favorecem o desenvolvimento psíquico da criança. Ao ouvi-los, elas absorvem destas narrativas lições que contribuirão para o seu desenvolvimento anterior.
Segundo Vygotsky, quando a criança reproduz o comportamento social de um adulto em seus jogos está fazendo uma combinação do real com sua ação fantasiosa, isto porque a criança tem como necessidade a reprodução do cotidiano do adulto, o qual ainda não pode fazer como gostaria.
Busca em seu faz de conta obter conhecimentos antecipados do mundo ao seu redor. A escola pode proporcionar uma fase muito rica para a criança, dependendo dos conteúdos que aborda. Trata-se de uma fase em que a criança praticamente sonha acordada, está inventando e descobrindo coisas.
É de suma importância o papel do professor neste momento, pois poderá disponibilizar recursos que irão aprimorar seus conhecimentos, aguçando a curiosidade dos alunos, ampliando seu vocabulário visual, incentivando-o.
É neste momento que o professor tem a oportunidade de proporcionar um cenário perfeito que contribuirá para que se façam construções no imaginário das crianças, levando-as a movimentos de mudanças e descobertas, instigando-as a criticarem e argumentarem, favorecendo o ambiente de aprendizagem.
Sandra Regina R. Cintra é Mediadora de Informática Educacional da Planeta Educaão em Osasco. O artigo é fragmento do seu Trabalho de Conclusão de Curso – TCC.
Bibliografia
VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo: MARTINS FONTES, 1994
Fonte: www.planetaeducacao.com.br